Até 28 de outubro de 2026, o estudo do World Data Lab com a EBANX indica que pessoas de 45 anos ou mais responderão por 51% do aumento do gasto online nos mercados emergentes na próxima década, o equivalente a USD 4,4 trilhões adicionais, com o Brasil entre os três países que mais somam volume. O dado interessa a quem opera sortimento e página de produto no comércio eletrônico brasileiro, porque o comprador que mais cresce não é o mais jovem, e boa parte do desenho de busca, checkout e recorrência foi feita para outra faixa etária.
O que o estudo projeta para 2036
O número central é o incremento, não o estoque atual. Na projeção, o gasto online anual nos mercados emergentes mais que dobra, de USD 7,1 trilhões para USD 15,8 trilhões em 2036, e 45 anos ou mais respondem por metade desse avanço. A China lidera com USD 4,7 trilhões adicionais e a Índia aparece com USD 1,3 trilhão, enquanto o Brasil ocupa a terceira posição com USD 249 bilhões, à frente de Indonésia e México.
A velocidade da demanda do consumidor muda conforme a faixa. O gasto online do grupo de 65 anos ou mais cresce 12,2% ao ano, o ritmo mais alto entre as faixas analisadas, e em 2036 as pessoas de 45 a 64 anos devem gastar USD 318 bilhões com jogos, streaming e redes sociais, quase 25% mais do que o grupo de 15 a 29 anos. São categorias que o varejo costuma tratar como território jovem, e a projeção contraria essa premissa.
Por que a base de compradores envelhece
O novo comprador chega pelo celular
Wolfgang Fengler, CEO do World Data Lab, explica o mecanismo em duas partes: parte desse público já compra pelo telefone e continuará comprando conforme envelhece, e outra parte fará a primeira compra online aos cinquenta ou sessenta anos. O estudo projeta 223 milhões de novos compradores entre 45 e 64 anos e 170 milhões com 65 anos ou mais até 2036, o que significa que a maior parte da expansão da base acontece fora do público que o e-commerce brasileiro aprendeu a atender.
O celular é a porta de entrada desse grupo. No Brasil, 50,2% das compras online de bens de consumo em 2024 passaram por dispositivos móveis, segundo o Digital 2025 do DataReportal com a We Are Social, e a leitura de mobile commerce já não é tema técnico, e sim de receita. Um checkout desenhado para quem tem pressa e dedo treinado tende a excluir justamente o comprador que está chegando agora e que tem ticket médio mais alto.
O meio de pagamento define quem entra
O estudo projeta que o gasto online de adultos sem cartão de crédito nos emergentes cresça 130% na próxima década, de USD 3,3 trilhões para USD 7,6 trilhões, e que em 2036 apenas 20% dos adultos desses países tenham cartão, contra 66% nas economias desenvolvidas. Entre os novos compradores, dois terços não terão acesso a esse meio de pagamento, e a porta passa a ser pix, carteira digital, cartão de débito local e transferência entre contas.
Marie-Elise Drug, Chief Revenue Officer da EBANX, resume o risco comercial da exclusão: um checkout que aceita apenas cartão fala com um em cada cinco adultos dos mercados emergentes e abre mão dos outros quatro. Stelite Hass, líder de inteligência de mercado da mesma empresa, acrescenta que foram esses meios locais que permitiram o crescimento do comércio eletrônico sem depender de cartão, cuja penetração segue baixa na região.
Onde a mudança aparece primeiro
Antes de redesenhar jornada, vale olhar onde o público já está concentrado. O levantamento da Click Galpões com buscas mensais no Google Brasil entre outubro de 2025 e agosto de 2026 mostra o Mercado Livre com quase o dobro do volume da segunda colocada, seguido por Amazon e Shopee. Como busca não é pedido, o dado serve para localizar disputa de atenção, não para estimar venda, e essa distinção importa quando a decisão é onde investir mídia para alcançar a faixa de 45 anos ou mais.
A base de lojas com operação online também cresceu. Dados do IBGE citados no mesmo levantamento mostram que o número de empresas varejistas que comercializavam pela internet passou de 1,9 mil em 2019 para 3,7 mil em 2023, com a proporção sobre o total do varejo subindo de 4,7% para 8,6%. A tabela abaixo compara as três faixas etárias que sustentam a projeção até 2036.
| Faixa etária | Papel na próxima década | Dado do estudo |
|---|---|---|
| 45 a 64 anos | Motor do avanço do gasto online | 223 milhões de novos compradores e USD 318 bilhões em jogos, streaming e redes sociais em 2036 |
| 65 anos ou mais | Ritmo mais rápido de crescimento | Gasto online crescendo 12,2% ao ano e 170 milhões de novos compradores |
| 15 a 29 anos | Segunda maior expansão, ainda relevante | 221 milhões de primeiras compras e USD 1,9 trilhão adicionais, com alta de 8,7% ao ano |
Como ajustar a operação sem refazer o site
O ajuste começa pelo pagamento, porque é o filtro mais duro. Aceitar pix e carteira digital com o mesmo destaque do cartão muda a taxa de conclusão de compra para quem não tem crédito, e o esforço é de configuração, não de reescrita de plataforma. Na sequência, o checkout precisa sobreviver a quem digita devagar e lê a tela inteira, o que significa menos campos por etapa, texto legível e confirmação clara do prazo de entrega antes da última tela.
A recorrência é o segundo ganho. O caso da Tok&Stok com a OmniChat mostra o tamanho do efeito quando a conversa substitui o disparo em massa: 3,4 vezes mais receita por cliente no WhatsApp em comparação com o e-mail, 30% de conversão nas conversas iniciadas, ticket médio duas vezes maior e receita do canal 2,2 vezes maior em menos de seis meses, com uma agente de IA cobrindo 100% dos atendimentos fora do horário comercial.
Perguntas Frequentes
O que significa dizer que 45 anos ou mais respondem por 51% do avanço?
Significa que, do aumento projetado no gasto online dos mercados emergentes na próxima década, pouco mais da metade virá desse grupo. O estudo do World Data Lab com a EBANX estima USD 4,4 trilhões adicionais atribuídos a essa faixa até 2036.
Por que o público de 65 anos ou mais cresce mais rápido?
Porque parte desse grupo fará a primeira compra online agora e porque o gasto online dessa faixa cresce 12,2% ao ano, o ritmo mais alto entre os recortes analisados, acima dos 8,7% ao ano do grupo de 15 a 29 anos.
Qual é o peso do cartão de crédito nesse cenário?
O estudo projeta que, em 2036, apenas 20% dos adultos dos mercados emergentes terão cartão de crédito, contra 66% nas economias desenvolvidas, e que dois terços dos novos compradores não terão acesso a esse meio de pagamento.
O que o dado de mobile commerce no Brasil indica?
Que 50,2% das compras online de bens de consumo no país em 2024 passaram por dispositivos móveis, segundo o Digital 2025, o que coloca a experiência no celular como parte da estratégia de receita e não apenas do suporte técnico.










