Até 30 de outubro de 2026, a SuperHiper informou que o Grupo Muffato amplia sua atuação para um novo segmento de negócios, os Eletropostos Muffato. Os pontos de recarga para veículos elétricos atenderão 20 municípios do Paraná e de São Paulo até o primeiro trimestre de 2027, instalados anexos às lojas de Super Muffato e Max Atacadista. São Paulo concentra a maioria, com 15 municípios atendidos, e em São José do Rio Preto a totalidade das lojas do grupo já oferece o serviço.
Recarga elétrica entra na distribuição regional
A lógica de instalar recarga em estacionamento de supermercado não é nova, mas a escala muda a natureza do projeto. Um ponto isolado é um serviço de conveniência; vinte municípios com cobertura planejada até o primeiro trimestre de 2027 é uma camada de infraestrutura que passa a influenciar a escolha da loja pelo consumidor que tem carro elétrico.
Para o varejo alimentar, o ganho não está na venda de energia em si. Está no tempo que o cliente passa na loja enquanto o carro carrega e na frequência com que ele volta. A recarga cria um motivo de visita adicional, e motivo de visita é o ativo mais caro de qualquer rede de distribuição regional.
Por que São Paulo concentra a expansão
Dos 20 municípios atendidos, 15 estão em São Paulo. A concentração não é acidental: a frota de veículos eletrificados e a renda média das cidades paulistas sustentam a demanda por recarga em ritmo mais rápido do que no interior do Paraná. Instalar onde já existe demanda é o caminho de menor risco para testar o modelo.
O caso de São José do Rio Preto mostra o outro extremo: cobertura de 100% das lojas do grupo na cidade. Quando a cobertura é total dentro de um município, o serviço deixa de ser diferencial de uma unidade e passa a ser atributo da marca naquele mercado, o que muda a conversa com o consumidor e com o poder público local.
Serviços como estratégia de formato
A tendência do setor aponta para lojas que acumulam serviços: farmácia, retirada de encomendas, cafeteria, recarga de veículo. Cada serviço compete pelo mesmo metro quadrado e pela mesma equipe, e a decisão de quais entram depende de frequência de visita e de margem por metro, não de preferência estratégica. Recarga tem a vantagem de ocupar área externa já existente.
Para as marcas fornecedoras, a consequência é indireta mas real. Se a recarga aumenta a permanência, o tempo disponível para o cliente percorrer corredores cresce, e categorias de compra por impulso ganham oportunidade. Quem negocia espaço e exposição precisa considerar esse efeito ao discutir posicionamento de gôndola.
| Item | Situação | Efeito esperado |
|---|---|---|
| Municípios atendidos | 20 até o 1º tri de 2027 | Cobertura regional |
| Concentração | 15 em São Paulo | Menor risco de demanda |
| Lojas atendidas | Super Muffato e Max Atacadista | Dois formatos |
| Cobertura local | 100% em São José do Rio Preto | Atributo de marca |
| Capital paulista | 4 de 5 lojas Max | Teste em atacarejo |
O que medir antes de ampliar
O primeiro indicador é a correlação entre recarga e permanência. Se o cliente que carrega fica mais tempo e compra mais, o investimento se paga pela via indireta. Se ele carrega e sai, a loja virou estacionamento com tomada, e o custo de ocupação do espaço passa a ser difícil de justificar.
O segundo é a frequência de retorno. Recarga recorrente cria hábito, e hábito é o que sustenta a distribuição regional no longo prazo. O terceiro é o custo por ponto instalado, que precisa ser comparado com a margem adicional gerada, e não com a receita de energia isoladamente.
Ações de verificação para a operação
O ponto central dessas checagens é separar a novidade do resultado. Nos primeiros meses, a recarga atrai curiosidade e infla qualquer indicador de tráfego. Só depois que o uso se estabiliza é possível saber se o serviço criou uma nova razão de visita ou apenas redistribuiu a visita que já existia.
Os limites de evidência devem ser ditos. A informação pública traz o número de municípios, os formatos atendidos e a cobertura em duas praças, mas não informa investimento por ponto, preço da recarga nem efeito sobre vendas. Este texto discute o papel dos serviços na distribuição regional, não o desempenho financeiro do projeto.
Perguntas Frequentes
Por que um supermercado investe em recarga elétrica?
Porque cria motivo de visita e aumenta o tempo de permanência, dois fatores que sustentam a frequência em loja.
O retorno vem da venda de energia?
Não principalmente. O retorno esperado vem da compra adicional de quem passa mais tempo na loja.
Por que começar por São Paulo?
Porque a frota eletrificada e a renda média sustentam demanda em ritmo mais rápido, reduzindo o risco do piloto.
O que indica que o modelo funcionou?
Ticket maior e retorno recorrente dos mesmos usuários, medidos depois da fase de curiosidade.










