Até 30 de outubro de 2026, a SuperHiper informou que a Cencosud iniciou no Brasil um processo de integração de farmácias às suas lojas, com o objetivo de ampliar conveniência e serviços de saúde no mesmo espaço de compra. A iniciativa está alinhada à Lei nº 15.357, de 20 de março de 2026, que autoriza a instalação de farmácias e drogarias em áreas de venda de supermercados, desde que cumpridas exigências legais, sanitárias e técnicas. A área prevista é de 220 metros quadrados, com sortimento que vai além de medicamentos e inclui suplementos, vitaminas e dermocosméticos.
O que a lei de 2026 muda na operação
A exigência de espaço físico delimitado, separado e exclusivo é o ponto que mais afeta o desenho da loja. Não se trata de uma gôndola adicional com medicamentos, mas de uma área com acesso controlado e responsável técnico presente durante o horário de funcionamento. Isso muda fluxo, segurança e escala de equipe, três variáveis que o varejo alimentar costuma tratar com folga pequena.
Na prática, a loja precisa decidir onde abrir mão de área de venda para acomodar um serviço. Um espaço de 220 metros quadrados é relevante em unidades de bairro e praticamente irrelevante em hipermercados. Por isso a expansão tende a começar por formatos maiores e por lojas com corredor de alto tráfego, onde o aluguel por metro já está diluído.
Por que o sortimento vai além do medicamento
Suplementos, vitaminas e dermocosméticos têm margem maior do que a cesta básica e giro menor do que perecíveis. Essa combinação é atraente porque não exige reposição diária nem cadeia de frio, e ao mesmo tempo eleva o ticket médio. Para o supermercado, é uma forma de capturar compras que hoje migram para farmácias de rede e para o ambiente online.
A demanda do consumidor por conveniência explica o movimento, mas não garante o resultado. O shopper que resolve saúde e abastecimento na mesma ida à loja precisa encontrar orientação, não apenas prateleira. Sem farmacêutico acessível e sem atendimento consistente, o espaço vira corredor de produto e perde a razão de existir.
Conveniência como estratégia de formato
O movimento da Cencosud se soma a uma tendência do setor que já vinha se desenhando: o supermercado deixa de ser apenas ponto de abastecimento e passa a acumular serviços. Farmácia, pet, cafeteria, lavanderia e retirada de encomendas competem pelo mesmo metro quadrado. A decisão de quais serviços entram depende de frequência de visita e de margem por metro, não de preferência estratégica.
Para as marcas fornecedoras, a mudança altera a negociação de espaço. Uma categoria que entra dentro de uma farmácia interna tem regras próprias de exposição, preço e responsabilidade técnica. Quem vende dermocosmético precisa entender se o ponto de venda é a gôndola do supermercado ou o balcão da farmácia, porque o comprador e a lógica de preço são diferentes.
| Item | Antes da lei | Depois da lei |
|---|---|---|
| Farmácia na loja | Restrição legal | Autorizada com exigências |
| Espaço | Sem previsão | Área delimitada e exclusiva |
| Responsável técnico | Não previsto | Farmacêutico presente |
| Sortimento | Cesta e perecíveis | Soma saúde e autocuidado |
| Área prevista | Não aplicável | 220 metros quadrados |
O que observar na execução
O primeiro indicador é a migração de compras. Se o cliente que entra para buscar um medicamento também leva itens de cesta, o formato funcionou. Se ele entra e sai apenas com o medicamento, a loja criou um ponto de venda concorrente dentro de si mesma, com custo de ocupação e de equipe que não se paga.
O segundo é a produtividade por metro. Uma área de 220 metros quadrados precisa gerar receita comparável à de qualquer outra categoria que ocuparia o mesmo espaço. Comparar farmácia com bebidas ou com higiene pessoal é o teste mais direto, e ele deve ser feito após o período de novidade, não na semana de inauguração.
Ações de verificação para a operação
O ponto central dessas checagens é separar a novidade do resultado. Uma farmácia recém-inaugurada atrai curiosidade por algumas semanas, e isso infla qualquer indicador. Só depois que o tráfego de novidade se dissipa é possível saber se o serviço criou uma nova razão de visita ou apenas redistribuiu a compra que já existia.
Os limites de evidência devem ser ditos. A informação pública traz a base legal, a área prevista e o sortimento, mas não informa quantas lojas receberão o formato, qual o investimento por unidade nem a margem esperada. Este texto discute o efeito da mudança sobre o desenho das lojas, não o desempenho da rede.
Perguntas Frequentes
A lei obriga o supermercado a abrir farmácia?
Não. A lei autoriza a instalação em área de venda, desde que cumpridas exigências legais, sanitárias e técnicas.
Por que a área precisa ser separada?
Porque a operação farmacêutica exige espaço delimitado e responsável técnico presente durante o horário de funcionamento.
Qual é o ganho esperado para a loja?
Ticket maior e nova razão de visita, com margem superior à da cesta básica e sem necessidade de cadeia de frio.
Como saber se o formato funcionou?
Pela migração de compra e pela produtividade por metro, medidas depois que o tráfego de inauguração se dissipa.










