Até 6 de novembro de 2026, o dado mais concreto sobre a temporada brasileira de novembro vem do varejo físico: cerca de 80% das vendas da Black Friday em Belo Horizonte passam pelas lojas, segundo a CDL/BH, e o mês deve superar os R$ 2 bilhões registrados em 2025. Em São Paulo, a Federação do Comércio projeta R$ 63,5 bilhões em novembro, alta próxima de 4%. Os dois números apontam na mesma direção: a entrega rápida, sozinha, não decide a temporada. Quem não tem o produto na prateleira perde a venda para quem tem, mesmo que o concorrente cobre frete.
O que os números de novembro mostram
A leitura correta é de composição, não de soma. A CNDL mede intenção declarada, com 87% de respondentes dizendo que pretendem comprar e um gasto médio pretendido de R$ 1.250; a Federação do Comércio mede faturamento projetado por segmento, com vestuário crescendo 6,6%, eletrodomésticos 4%, supermercados 3,7%, farmácias 2,2% e móveis 1,1%. São duas réguas diferentes: uma olha para o consumidor, a outra para o caixa do setor. Quando as duas apontam para cima, o que se pode afirmar é que a temporada tem demanda, não que cada lojista vai capturá-la.
Duas pesquisas, dois recortes
A pesquisa da CNDL com a Offerwise mostra também quando a compra acontece: 56% dizem que vão comprar na semana da Black Friday, 22% apenas no dia do evento e 14% na primeira quinzena de novembro. Esse espalhamento explica por que a data deixou de ser um único dia de pico e virou um mês de operação. Para a loja, o efeito prático é que o estoque precisa estar disponível durante quatro semanas, e não apenas na sexta-feira, porque a demanda do consumidor se distribui antes mesmo de o mês começar.
A jornada começa no celular e termina na loja
O dado mais útil da CDL/BH não é o percentual de vendas no físico, e sim a descrição da jornada: a maior parte das compras começa na internet, com o primeiro contato por vídeo, influenciador ou pelas redes da própria loja, e termina dentro do ponto de venda. É uma jornada híbrida, com o digital funcionando como vitrine e a loja como fechamento. Nessa configuração, o inimigo da conversão não é o prazo de entrega do concorrente, é a ruptura no meio do caminho.
| Indicador | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Vendas da Black Friday no varejo físico em BH | cerca de 80% | CDL/BH |
| Tíquete médio por pessoa em novembro em BH | pode passar de R$ 2 mil | CDL/BH |
| Intenção de compra na data | 87% | CNDL/SPC |
| Gasto médio pretendido | R$ 1.250 | CNDL/SPC |
| Visitas aos pontos de venda em 2026 | +12,8% | dados de mercado compilados |
| Itens por compra em 2026 | -10,4% | dados de mercado compilados |
As duas últimas linhas merecem atenção conjunta. Mais visitas com menos itens por compra significa que o consumidor está indo mais à loja e levando menos por vez: o tráfego cresce, mas a cesta encolhe. Para o varejo físico, isso desloca o problema da atração para a composição. Não basta encher a loja de gente; é preciso que o sortimento por loja responda ao que aquela região procura, porque cada visita tem menos chance de converter em volume.
Onde a entrega rápida não ajuda
Prazo curto não cobre prateleira vazia
A tendência do setor nos últimos dois anos foi tratar prazo de entrega como vantagem competitiva central. Em novembro, essa lógica encontra um limite prático. Se oito em cada dez reais são pagos dentro da loja, o cliente já está no ponto de venda quando decide; o que o faz desistir é o produto não estar lá, o tamanho não existir naquela unidade ou a reposição não chegar antes do fim de semana. Nenhuma dessas três falhas é resolvida por um modal mais rápido.
Há um segundo limite, de custo. Frete grátis e entrega no mesmo dia funcionam como argumento para deslocar tráfego online, e a pesquisa da CNDL mostra que 34% dos consumidores priorizam lojas com frete grátis na escolha do local de compra. Mas quando a maior parte da receita do mês é fechada na loja, o investimento em velocidade de entrega compete diretamente com o investimento em disponibilidade na gôndola. A decisão de alocação entre os dois é o que separa uma temporada recorde de uma temporada com margem apertada.
Como medir a loja em novembro
A recomendação é medir a loja com a mesma disciplina que se mede o site. Isso significa acompanhar disponibilidade por unidade, não por rede; acompanhar o tempo entre a ruptura e a reposição; e acompanhar a conversão de visitas em itens. Abaixo, a rotina mínima que cabe em uma operação de médio porte sem criar um novo departamento de dados.
O ponto sensível é a granularidade. Relatórios por rede escondem exatamente o que importa em novembro: uma média de 91% de disponibilidade pode significar 98% em metade das lojas e 84% na outra metade, e é nessa segunda metade que a venda se perde. A CDL/BH observa que as pessoas compram cada vez mais perto de onde moram e de onde trabalham, e que o atendimento aparece como primeiro fator de decisão nas pesquisas da entidade. Se a compra é local, a medição também precisa ser local.
Perguntas Frequentes
Se 80% da venda é física, vale investir em entrega no mesmo dia?
Vale, mas não como prioridade de novembro. A entrega rápida sustenta a vitrine digital que inicia a jornada; a disponibilidade na loja é o que fecha a venda. Em novembro, o segundo item pesa mais.
Como saber se a ruptura é de estoque ou de sortimento?
Se o SKU existe na rede mas não naquela loja, é sortimento; se sumiu de todas as lojas ao mesmo tempo, é estoque. Os dois exigem ações diferentes e devem ser medidos separadamente.
O consumidor que pesquisa no celular e compra na loja entra em qual canal?
Na apuração, conta como venda da loja. Atribuir ao online infla o canal digital e esconde o esforço de reposição que a loja fez para converter.









