Até 30 de outubro de 2026, o índice Abrasmercado, que acompanha a variação de preços de uma cesta de 35 produtos de largo consumo, registrou alta de 1,09 por cento em setembro, depois das quedas de 1,24 por cento em julho e de 0,57 por cento em agosto. O valor médio da cesta passou de 837,14 reais em agosto para 846,22 reais em setembro, com acumulado de 5,73 por cento entre janeiro e setembro.
O que puxou a cesta em setembro
A alta de setembro foi puxada por poucos itens. O arroz avançou 4,56 por cento no mês, depois de subir 1,34 por cento em agosto, e acumula 4,96 por cento no ano. O óleo de soja subiu 1,83 por cento e o açúcar refinado voltou a subir 1,11 por cento. São itens de peso na cesta básica, e peso é o que transforma alta pequena em impacto grande.
Na direção contrária, o feijão recuou 4,12 por cento em setembro, terceira queda mensal consecutiva, depois das retrações de 2,17 por cento em julho e 4,82 por cento em agosto. Apesar das quedas recentes, o produto ainda acumula alta de 36,43 por cento no ano. O café torrado e moído manteve trajetória de queda.
Item de peso explica mais que item de alta
Ler a cesta apenas pelas maiores variações percentuais leva a conclusões erradas. Um item que sobe 20 por cento e pesa 1 por cento na cesta mexe menos no índice do que um item que sobe 4 por cento e pesa 8 por cento. Por isso o arroz importa mais do que a variação sugere.
Para quem acompanha preço no varejo, a consequência prática é priorizar a leitura por contribuição, não por variação. A conta é simples: variação do item multiplicada pelo seu peso. Ordenar por esse produto mostra onde a inflação da cesta realmente nasce, e onde a negociação de compra tem mais retorno.
Feijão em queda não devolve o ano
Três quedas consecutivas do feijão aliviam o mês, mas não devolvem o acumulado de 36,43 por cento no ano. Esse é o padrão típico de choque de oferta: o preço sobe rápido e cai devagar, porque a recomposição de estoque leva safra. Quem olha só o mês conclui que o problema acabou.
Como ler a cesta por contribuição
A leitura por contribuição cabe numa planilha de três colunas: variação mensal, peso no índice e contribuição. Com ela, a discussão deixa de ser sobre o produto que mais subiu e passa a ser sobre o produto que mais empurrou o índice. São coisas diferentes, e a segunda é a que afeta o orçamento do consumidor.
| Item | Variação no mês | Acumulado no ano | Leitura |
|---|---|---|---|
| Arroz | alta de 4,56 por cento | alta de 4,96 por cento | peso alto, alta relevante |
| Feijão | queda de 4,12 por cento | alta de 36,43 por cento | alívio pontual, ano pressionado |
| Óleo de soja | alta de 1,83 por cento | queda de 8,59 por cento | recuperação parcial |
| Açúcar refinado | alta de 1,11 por cento | estável | volta após quedas |
| Café torrado e moído | queda | queda | alívio persistente |
A tabela mostra um padrão útil para quem negocia compra: os itens que caem no mês são justamente os que mais subiram no ano. Isso indica que a queda é correção, não mudança de patamar. Planejar compra supondo continuidade da queda é o erro mais caro nesse tipo de ciclo.
O que muda na política de preço do varejo
Quando a cesta sobe 1,09 por cento num mês de consumo estável, o varejista perde margem se repassar integralmente e perde volume se absorver. A saída usual é trabalhar o sortimento: empurrar marcas próprias nos itens de maior alta e manter o preço de referência nas marcas líderes para não quebrar a percepção de valor. Quem corta a promoção para proteger margem costuma perder volume antes de recuperar rentabilidade.
Preço de referência é ativo, não número
O preço do arroz na gôndola funciona como referência mental de toda a loja. Mexer nele acima da média do mercado muda a percepção de custo do cliente, mesmo que os demais itens estejam baratos. Por isso varejistas experientes preferem absorver parte da alta em itens de referência e recuperar margem em categorias menos sensíveis.
Perguntas Frequentes
O que o índice Abrasmercado mede?
A variação de preços de uma cesta de 35 produtos de largo consumo. Em setembro de 2026 a alta foi de 1,09 por cento, com valor médio passando de 837,14 para 846,22 reais.
Por que o arroz pesa tanto no resultado?
Porque combina peso alto na cesta com alta relevante no mês: 4,56 por cento em setembro e 4,96 por cento no acumulado do ano. Item de peso explica mais que item de alta percentual isolada.
O feijão caiu, então a pressão acabou?
Não. Foram três quedas mensais consecutivas, mas o acumulado do ano ainda é de alta de 36,43 por cento. Choque de oferta sobe rápido e cai devagar, porque a recomposição de estoque depende de safra.
Como o varejo costuma responder a esse cenário?
Ajustando sortimento antes de ajustar preço de referência. Empurra marca própria nos itens de maior alta e segura o preço das marcas líderes para não quebrar a percepção de valor da loja.










