Até 5 de novembro de 2026, as informações públicas indicam que a Eu Entrego projeta crescer 20 por cento em volume de operações e entregas na Black Friday de 2026 sobre a edição anterior, enquanto a projeção da Confi Neotrust aponta R$ 13,3 bilhões em vendas no ecommerce entre 26 e 29 de novembro, alta de 20,7 por cento sobre os R$ 11,03 bilhões de 2025. A data oficial é 27 de novembro, mas a temporada já começou: em 2025 o setor faturou R$ 36,6 bilhões entre 1º e 24 de novembro. Para quem planeja sortimento e prazo, a pergunta deixa de ser quanto vender e passa a ser quanto é possível entregar dentro da promessa feita na página do produto.
O volume está projetado, a capacidade não
A projeção de 20 por cento em entregas acompanha quase exatamente a projeção de 20,7 por cento em vendas, e essa coincidência é o primeiro ponto de atenção. Se o volume de pedidos crescer no mesmo ritmo da receita, o ticket médio fica estável; se a receita crescer mais, parte do esforço logístico se dilui em pedidos de maior valor e menor quantidade. Para o planejamento de capacidade, a diferença entre os dois cenários é grande, porque o custo por entrega não escala com o valor da mercadoria.
A temporada deixou de ser um dia
O dado de 2025 mostra o deslocamento: R$ 36,6 bilhões foram movimentados entre 1º e 24 de novembro, antes da data oficial. Ou seja, a operação não precisa de um pico de 24 horas, precisa de um patamar elevado por três semanas, com dois ou três picos dentro dele. Planejar capacidade para um único dia, hoje, é dimensionar frota e turno para um evento que já não acontece dessa forma.
A demanda ficou mais planejada, e isso muda o pico
A leitura da NielsenIQ sobre o período é de cautela: juros altos e endividamento não devem impedir as compras, mas tendem a tornar a decisão mais planejada, com o consumidor concentrando gastos nos produtos considerados prioritários. Um consumidor que planeja compara mais, abandona carrinho com mais frequência e escolhe prazo padrão em vez de expresso. Isso reduz a pressão sobre a entrega no mesmo dia e aumenta a pressão sobre a entrega no prazo prometido.
| Indicador | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Vendas projetadas no ecommerce, 26 a 29 de novembro | R$ 13,3 bilhões | Confi Neotrust |
| Variação sobre o mesmo período de 2025 | 20,7 por cento | Confi Neotrust |
| Vendas entre 1º e 24 de novembro de 2025 | R$ 36,6 bilhões | Confi Neotrust e E-Commerce Brasil |
| Crescimento projetado de entregas | 20 por cento | Eu Entrego |
| Varejo total no terceiro trimestre de 2026 | 6,3 por cento | Índice do Varejo Stone |
O Índice do Varejo Stone acrescenta uma camada importante: o varejo cresceu 6,3 por cento no terceiro trimestre e acumula 4,7 por cento entre janeiro e setembro, com o Norte liderando a alta anual em setembro, com 10,2 por cento, seguido pelo Nordeste, com 6,1 por cento. O crescimento fora dos grandes centros amplia a necessidade de uma malha de entrega capilar, e é aí que a capacidade de última milha costuma faltar primeiro.
A tendência do setor aponta para prazo, não para frete
A tendência do setor nos últimos ciclos é clara: o consumidor deixou de escolher pela promessa de frete grátis e passou a escolher pelo prazo exato. Isso desloca a vantagem competitiva da política de desconto para a previsibilidade da entrega, e explica por que uma transportadora projeta crescimento de dois dígitos justamente num ano em que a demanda do consumidor é descrita como mais cautelosa. A demanda do consumidor não desapareceu, ela ficou mais exigente quanto ao cumprimento do prazo.
Parcelamento e prazo dividem o mesmo orçamento
O outro lado da temporada é o crédito. Cerca de 82 por cento das famílias brasileiras estão endividadas, e mais de 80 por cento das decisões de compra são movidas por impulso, ansiedade e pressão social, segundo os estudos citados por especialistas em finanças pessoais. O parcelamento longo funciona como anestesia: resolve o caixa de novembro e transfere o problema para o início do ano seguinte, quando a mesma família precisa pagar as parcelas sem a renda extra do 13º.
Para o ecommerce, isso tem uma consequência operacional direta. Pedidos parcelados em muitas vezes têm taxa de cancelamento e de recusa na entrega mais alta, o que devolve volume à operação justamente na semana seguinte ao pico. Um plano de capacidade que considera apenas o pico de vendas, sem reservar folga para as devoluções e as segundas tentativas de entrega, costuma estourar na primeira semana de dezembro.
Antes de fechar o plano de novembro, quatro conferências
As quatro conferências respondem a perguntas distintas: qual é o gargalo, quando ele aperta, quanto custa o retorno e onde a malha é frágil. Times que pulam a segunda etapa costumam comprar capacidade para o mês inteiro e ainda assim furar prazo no pico; times que pulam a terceira descobrem o custo das devoluções só depois de fechar o resultado. A entrega é o único item do plano que o cliente cobra no dia seguinte.
- Vendas e entregas crescem juntas20 por cento em volume de entregas contra 20,7 por cento em vendas: ticket estável significa mais pedidos, não pedidos maiores.
- Temporada de três semanasEm 2025 foram R$ 36,6 bilhões só entre 1º e 24 de novembro, antes da data oficial.
- Devolução consome capacidadePedido parcelado tem mais recusa na entrega, e essa carga chega na semana seguinte ao pico.
O quadro que se forma para novembro é de demanda projetada em alta, consumidor mais cauteloso e capacidade logística crescendo no mesmo ritmo do volume. Nesse arranjo, quem ganha não é quem promete o frete mais barato, e sim quem consegue sustentar o prazo prometido na terceira semana. Para o time de ecommerce, o trabalho de planejamento começa pelo prazo que a malha suporta, e só depois volta para o sortimento e para a promoção.
Perguntas Frequentes
A projeção de 20 por cento em entregas acompanha o crescimento das vendas?
Acompanha quase exatamente a projeção de 20,7 por cento em vendas, o que sugere ticket médio estável e mais pedidos, e não pedidos maiores. Isso muda o cálculo de capacidade, porque o custo por entrega não escala com o valor da mercadoria.
Por que a temporada não pode ser planejada como um único dia?
Porque em 2025 o ecommerce faturou R$ 36,6 bilhões entre 1º e 24 de novembro, antes da data oficial. A operação precisa de um patamar elevado por semanas, com picos internos.
O consumidor endividado compra menos na Black Friday?
Compra de forma mais planejada. Cerca de 82 por cento das famílias estão endividadas, e a leitura é de concentração em produtos prioritários, com comparação maior e preferência por prazo padrão em vez de expresso.
Por que reservar capacidade para devoluções?
Porque pedidos parcelados em muitas vezes têm recusa na entrega e cancelamento mais altos, e esse volume retorna justamente na semana seguinte ao pico.
Fontes
- Eu Entrego projeta crescimento de 20 por cento nas operações durante a Black Friday 2026 (Varejo Brasil)
- Como o medo de perder promoções na Black Friday empurra o consumidor para o superendividamento (Varejo Brasil)
- Endividamento das famílias e juros colocam crédito no varejo sob pressão em 2027 (Varejo Brasil)










