Até 1 de novembro de 2026, o macarrão está presente em 99,4% dos domicílios brasileiros e a categoria registrou ganho de penetração de 0,4% e expansão de 0,9% no número de compradores no acumulado de julho de 2025 a junho de 2026, segundo a análise da Worldpanel by Numerator. A frequência de compra subiu 1,8%, para uma média de 19,7 idas ao ponto de venda por ano. Com cerca de 80% dos lares endividados, segundo a Abimapi, o shopper passou a concentrar o gasto nos extremos da categoria, e é esse movimento que redesenha a política de preço na gôndola.
Efeito ampulheta divide a categoria em dois extremos
O efeito ampulheta descrito pela Abimapi é simples de verificar na prateleira. O shopper concentra o gasto em dois extremos: o item mais simples e acessível para o consumo do dia a dia, e o produto premium, de maior valor agregado, para ocasiões específicas. O meio da categoria, que costuma concentrar o maior número de referências, é justamente o que perde espaço quando o orçamento aperta.
A frequência maior sustenta a leitura. Se o consumidor vai ao ponto de venda 19,7 vezes por ano, ele tem mais oportunidades de comparar preço, e comparação frequente reduz a fidelidade à marca do meio. O que segura a categoria é a penetração quase total: praticamente nenhum lar sai da compra, o que muda é quanto e qual versão cada lar leva.
Por que o meio da prateleira sofre
O item intermediário depende de diferenciação percebida para justificar o preço acima do básico. Quando o consumidor corta gasto, essa diferença deixa de ser evidente e ele migra para baixo. Quando decide gastar mais, migra para o premium, que tem argumento claro de sabor, grano ou formato. O meio fica sem argumento nos dois sentidos, e é onde o varejo costuma concentrar promoção para sustentar giro.
Preparo em casa puxa volume
O volume de alimentos vinculados ao preparo doméstico cresceu 3,5% no período analisado. Isso reforça a posição do macarrão como item de rotação, porque ele é base de refeição e não acompanhamento eventual. Para a indústria, o dado indica que o investimento em formato familiar e em embalagem econômica continua fazendo sentido, desde que o preço por porção seja comparável na prateleira.
Preço na gôndola não é preço médio
A política de preço da categoria precisa ser lida por faixa, não por média. Uma alta no preço médio pode significar migração para o premium, e não aumento generalizado. Da mesma forma, uma queda na média pode refletir promoção no item básico e não recuo de preço em toda a categoria. Sem separar as faixas, qualquer leitura de inflação de categoria erra o diagnóstico.
O segundo cuidado é com a promoção. Quando o meio da prateleira entra em promoção recorrente, o consumidor aprende a esperar o desconto e a compra deixa de acontecer no preço cheio. O efeito aparece rápido no volume e devagar no preço médio, o que costuma esconder a perda de margem por dois ou três ciclos.
| Indicador | Número | O que sinaliza |
|---|---|---|
| Presença nos domicílios | 99,4% | penetração no limite |
| Penetração | alta de 0,4% | crescimento por frequência |
| Compradores | alta de 0,9% | base estável |
| Frequência | 19,7 idas por ano | mais comparação de preço |
| Preparo em casa | alta de 3,5% | volume de rotação |
A tabela serve para separar crescimento de base e crescimento de frequência. A base de compradores praticamente não cresce, porque a penetração já está no limite. O que cresce é a ida à loja e o preparo em casa. Nesse cenário, ganhar participação depende de estar presente na faixa que o consumidor escolhe em cada ocasião, e não de ampliar o número de referências.
O que acompanhar no próximo trimestre
Primeiro, o preço por porção nas três faixas, porque é a métrica que o shopper usa para comparar formatos diferentes. Segundo, a participação do item premium no volume total, que indica se a troca para cima se sustenta. Terceiro, a profundidade da promoção no item intermediário, que mostra se o varejo está tentando segurar o meio da prateleira.
Também vale acompanhar a embalagem. Formato familiar, fechamento resselável e informação de rendimento por porção são os atributos que permitem comparar preço sem calculadora. Quando a embalagem não permite essa comparação, o consumidor volta para a marca conhecida, e a categoria perde a chance de converter a frequência maior em experimentação.
Perguntas Frequentes
O que é o efeito ampulheta na categoria?
É a concentração do gasto nos dois extremos da prateleira, com o item básico para o dia a dia e o premium para ocasiões específicas. O meio da categoria perde espaço porque deixa de ter argumento claro para o preço que cobra.
Por que a penetração de 99,4% limita o crescimento?
Porque quase nenhum lar pode entrar na categoria. O crescimento passa a depender de frequência e de valor por compra, não de novos compradores, o que muda a lógica de sortimento e de promoção.
Como comparar preço entre formatos diferentes?
Pelo preço por porção, e não pelo preço do pacote. A embalagem precisa informar rendimento para que a comparação seja possível sem cálculo, caso contrário o consumidor volta para a marca que já conhece.
Promoção no item intermediário resolve?
Resolve o volume no curto prazo e piora a margem no médio. Quando o desconto se torna recorrente, o consumidor aprende a esperar e a compra deixa de acontecer no preço cheio.










