Até 1 de novembro de 2026, a reabertura da loja GBarbosa RioMar em Aracaju é o exemplo mais claro de uma mudança que vem ocorrendo no varejo alimentar brasileiro. A unidade, uma das mais tradicionais da capital sergipana, reabriu na quinta-feira, 29, com o conceito store in store, recebendo o Empório Perini, a Adega Perini e uma farmácia de 220 metros quadrados. Para quem administra rede de lojas, o ponto não é a reforma em si, mas o fato de que a área comercial passou a ser ocupada por formatos que geram tráfego próprio.
O que mudou na loja de Aracaju
A operação faz parte de uma série de reformas que a rede vem realizando nas lojas do Nordeste desde 2025. Além do Empório e da Adega, a unidade passa a contar com peixaria, Espaço Sushi, frutas e verduras, açougue e floricultura com novidades. A Adega reúne 1.200 rótulos de vinhos e espumantes de onze países, com destaque para Chile, Portugal e Argentina, e oferece um consultor especializado para apoiar a escolha do cliente.
A farmácia é o movimento mais estratégico para a definição de área comercial. Com 220 metros quadrados, o sortimento vai além de medicamentos e inclui suplementos, vitaminas e dermocosméticos. A Cencosud Brasil trata a integração de farmácias às lojas como processo, começando por esta unidade, com o objetivo de ampliar conveniência e serviços no mesmo espaço de compra.
Por que o formato loja dentro de loja muda a conta
O sortimento próprio assume o papel de âncora
Uma loja de supermercado tradicional depende de marcas de terceiros para construir tráfego. Quando o Empório Perini entra com mais de 300 produtos de fabricação própria, a loja passa a ter um motivo de visita que não existe em nenhum concorrente direto. Isso muda o cálculo de seleção de loja, porque a atratividade deixa de vir apenas da localização e passa a vir também do sortimento exclusivo mantido dentro da área comercial.
A farmácia aumenta a frequência sem aumentar a área
Farmácia é categoria de alta frequência e ticket baixo, o oposto do comportamento típico de compra mensal de supermercado. Ao instalar 220 metros quadrados de farmácia dentro da loja, a rede ganha visitas entre as compras grandes, e cada visita adicional é uma chance de vender itens de impulso no caminho até o caixa. O risco é a farmácia competir por espaço com categorias de maior margem.
A reforma segue um padrão de rede
O movimento não é isolado. A quarta loja do Super Nova Era a passar por retrofit em 2026 em Manaus ganhou peixaria inédita na unidade, padaria nova, açougue repaginado, balcão de frios, ilha de assados e oferta de frutas e verduras cortadas. Redes diferentes chegam à mesma conclusão: ampliar serviços dentro da loja é a forma de defender frequência sem abrir ponto novo.
Formatos dentro da loja e o que cada um entrega
| Formato | Área ou sortimento | Função principal | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Empório Perini | Mais de 300 produtos próprios | Diferenciação e margem | Canibalização de marcas líderes |
| Adega Perini | 1.200 rótulos de onze países | Ticket médio e consultoria | Giro de rótulos de baixa saída |
| Farmácia | 220 metros quadrados | Frequência e conveniência | Concorrência por espaço na loja |
| Peixaria e açougue | Serviço especializado | Frescor e atendimento | Custo de mão de obra treinada |
| Floricultura | Categoria de impulso | Compra não planejada | Perecibilidade e perda |
A tabela mostra que cada formato resolve um problema diferente. Empório e Adega trabalham diferenciação e ticket, a farmácia trabalha frequência, peixaria e açougue trabalham percepção de frescor, e a floricultura trabalha impulso. O erro comum é instalar os formatos ao mesmo tempo sem definir qual deles sustenta o fluxo, o que transforma a reforma em aumento de custo operacional sem ganho de venda.
O que medir depois da reabertura
O primeiro indicador é venda por metro quadrado por seção, comparada com a média da rede e não com o desempenho anterior da própria loja. O segundo é a curva horária de movimento, porque a farmácia e a peixaria atraem públicos em horários diferentes do supermercado. O terceiro é a ruptura por seção, já que ampliar sortimento sem repor na frequência certa apenas transfere o problema de espaço para o de disponibilidade.
Há também um indicador de pessoas que costuma ser ignorado. A abertura de mais de 90 vagas pelo Grupo Uni-X no interior paulista, em cidades como Campinas, Cosmópolis, Itatiba, Valinhos, Vinhedo e Jaguariúna, mostra que a expansão de serviços exige mão de obra treinada em funções específicas, de operador de caixa a fiscal de prevenção de perdas. Uma loja que ganha peixaria, rotisseria e farmácia precisa de gente qualificada para cada balcão, e esse é o gargalo real da reforma.
Perguntas Frequentes
O que significa store in store na prática?
Significa que uma marca ou formato opera dentro da área de vendas de outra loja, com sortimento e identidade próprios. No GBarbosa RioMar, o Empório Perini e a Adega Perini ocupam espaços definidos dentro do supermercado, com mais de 300 produtos de fabricação própria e 1.200 rótulos de vinhos, além de um consultor especializado para atender o cliente.
Por que instalar uma farmácia dentro do supermercado?
Porque farmácia traz frequência. O cliente de supermercado compra uma vez por mês em grande volume, enquanto a farmácia recebe visitas curtas e recorrentes. Com 220 metros quadrados e sortimento que inclui suplementos, vitaminas e dermocosméticos, a seção cria uma segunda razão de visita para a mesma loja.
A reforma garante aumento de venda?
Não automaticamente. A reforma amplia sortimento e serviços, mas o resultado depende de reposição na frequência certa, gente treinada em cada balcão e definição de qual formato sustenta o fluxo. Sem essas três condições, o ganho vira custo operacional.
Qual indicador deve ser acompanhado primeiro?
A venda por metro quadrado por seção, comparada com a média da rede. Comparar com o desempenho anterior da própria loja esconde o efeito da reforma, porque toda unidade reformada melhora no primeiro mês por curiosidade do cliente.









