Farmácia aposta em inovação na marca própria
2026-11-08博晓通

Farmácia aposta em inovação na marca própria

Farmácia aposta em inovação na marca própria 文章配图

Até 7 de novembro de 2026, a marca própria deixou de ser a gôndola barata da farmácia e virou projeto de produto. O mercado brasileiro de marcas próprias no varejo farmacêutico praticamente dobrou em quatro anos, de 3,4 bilhões para 6,6 bilhões de reais em faturamento. A Intercron, que desenvolve e gerencia marcas próprias para redes associadas, fechou 2025 com cerca de 700 milhões de reais em vendas, alta superior a 15 por cento, e projeta 1 bilhão até 2028. O número que explica o movimento não é o faturamento, e sim os 470 projetos de desenvolvimento ou reformulação concluídos em um único ano.

O que mudou na prateleira da farmácia

Fatos conhecidosNão confirmadoPrecisa verificar
A Intercron atende 13 redes, mais de 1.400 lojas, com portfólio de 1.300 produtos e cerca de 60 fornecedoresSe o portfólio cresce por substituição ou por nova categoriaA abertura de SKUs por categoria nos últimos dois anos
As marcas exclusivas representam aproximadamente 7,3 por cento das vendas das redes atendidasSe o índice se mantém nas redes de menor porteA participação por bandeira e por região
Em algumas categorias, os preços ficam até 20 por cento abaixo das marcas líderesSe a diferença se sustenta após o desconto do concorrenteO preço praticado na gôndola, não o de tabela

A mudança de escopo é o dado mais interessante. Além de higiene e cuidados pessoais, as marcas próprias avançam em suplementos, nutrição esportiva, cuidados geriátricos e produtos para animais de estimação. São categorias de decisão mais lenta, em que o consumidor compara composição, dose e embalagem antes de trocar de marca. Entrar nelas exige desenvolvimento de produto de verdade, não apenas uma etiqueta nova sobre um item genérico, e é por isso que o número de projetos concluídos cresce junto com o faturamento.

1.300 produtos e 470 projetos em um ano

O volume de desenvolvimento é o que separa uma linha de marca própria de uma promessa de preço. A Intercron administra 1.300 produtos criados com cerca de 60 fornecedores e concluiu 470 projetos de desenvolvimento ou reformulação em 2025, com previsão de outros 400 em 2026. Cada projeto envolve fórmula, dose, embalagem, registro e teste de aceitação, o que torna o ciclo mais parecido com o de uma indústria do que com o de um comprador de varejo.

CanalCrescimento no 1º semestre de 2026Participação na receita do canalLeitura para a farmácia
Farmácias19,1 por cento em faturamento27,2 por centoMarca própria já é parte do sortimento, não uma alternativa
AutosserviçoAcima da média do mercado50,1 por cento em valorO modelo de referência em maturidade
Bazar17,7 por cento em volume e 28,6 por cento em valorMenor baseCrescimento puxado por itens de giro
Total do mercado analisado11,9 por cento em faturamento1,8 por cento do mercado nacionalBase de 10,8 bilhões de reais em 2025

Inovação de produto é o que sustenta o preço

O consumidor já não compra só por preço

Na pesquisa da NielsenIQ citada pelo setor, o custo-benefício lidera as menções com 91 por cento, mas a disponibilidade constante do produto na loja aparece com 89 por cento e a percepção de qualidade superior com 87 por cento. Os três números juntos explicam por que a marca própria não pode ser apenas mais barata: se o item falta na gôndola, o consumidor volta para a marca que estava lá, e a economia prometida desaparece na segunda visita.

Qualidade percebida ainda é o gargalo

O estudo da Simon-Kucher, com 14 mil entrevistados em 14 países e mil consumidores no Brasil, mostra que 90 por cento dos latino-americanos veem boa relação entre qualidade e preço nas marcas próprias, mas 87 por cento ainda consideram as marcas tradicionais mais confiáveis, acima dos 75 por cento da Europa e dos 76 por cento dos Estados Unidos. A conclusão prática para a farmácia é que a disputa não se resolve com desconto: ela se resolve com evidência de eficácia, origem do fornecedor e consistência de lote.

Como avaliar um projeto de marca própria antes de lançar

O erro mais comum é medir o sucesso pelo preço relativo na primeira semana e abandonar a linha quando o giro não acompanha. Uma avaliação útil começa pela categoria: qual o tamanho do mercado endereçável, quantos SKUs existem hoje, qual a participação da marca líder e qual o espaço real para uma alternativa. Depois passa pelo produto: fórmula comparável, embalagem que comunique a proposta e registro sanitário em dia. Só então o preço entra na conta.

  1. Mapeie a categoria e o número de SKUs antes de definir a proposta do novo item.
  2. Registre a fórmula de referência, o fornecedor e o lote piloto de cada projeto.
  3. Acompanhe a disponibilidade na gôndola semanalmente, separando ruptura de item não listado.
  4. Meça recompra por SKU nos primeiros 90 dias, não apenas a venda de lançamento.
CampoExemploUso na decisão
CategoriaSuplementosDefine o espaço competitivo
SKUs na categoria120 itensMostra saturação
Preço relativo20 por cento abaixo da líderTesta a proposta de valor
Recompra em 90 dias32 por centoIndica aceitação real

Há ainda um vetor externo que ajuda a marca própria a ganhar espaço: o sell-out farmacêutico cresceu 9,6 por cento no acumulado de 2026, com genéricos a 10,4 por cento, e os medicamentos GLP-1 responderam por cerca de 5 pontos percentuais do crescimento de receita das redes listadas no segundo trimestre. Categorias em expansão criam espaço para novos itens, mas também atraem a indústria tradicional. Quem chega com produto desenvolvido, e não apenas com preço, fica com a prateleira quando o ciclo de novidade passa.

Perguntas Frequentes

  • Por que a marca própria cresceu na farmácia?

    Porque as redes buscam produtos exclusivos, maior rentabilidade e alternativa de preço para o consumidor. O mercado dobrou em quatro anos, de 3,4 bilhões para 6,6 bilhões de reais, e a marca própria já responde por 27,2 por cento da receita do canal farma.

  • O que a Intercron projeta para os próximos anos?

    A empresa fechou 2025 com cerca de 700 milhões de reais em vendas, alta superior a 15 por cento, e projeta 1 bilhão até 2028, atendendo 13 redes com mais de 1.400 lojas e um portfólio de 1.300 produtos desenvolvidos com cerca de 60 fornecedores.

  • Preço menor basta para vender marca própria?

    Não. Na pesquisa citada pelo setor, 91 por cento dos consumidores mencionam custo-benefício, mas 89 por cento citam disponibilidade constante e 87 por cento citam qualidade superior. Um item mais barato que falta na gôndola devolve o cliente para a marca que estava lá.

  • Como medir se o lançamento funcionou?

    Por recompra em 90 dias e por disponibilidade semanal na gôndola, separando ruptura de item não listado. Venda de lançamento isolada não distingue curiosidade de adoção, e é a adoção que sustenta a linha no segundo ciclo.

Fontes