Até 2 de novembro de 2026, o GBarbosa reinaugurou a loja RioMar, em Aracaju, com conceito store in store: a unidade passa a abrigar o Empório Perini e a Adega Perini, com mais de 300 itens de fabricação própria e um portfólio de mais de 1.200 rótulos de vinhos de onze países, além de uma farmácia de 220 metros quadrados. A rede tem 71 anos de operação em Sergipe e integra o grupo Cencosud, que também anunciou a estreia de farmácias em supermercados no Brasil.
Uma loja, quatro operações dentro dela
O formato store in store muda a lógica de ocupação da área de vendas. Em vez de distribuir categorias por corredores, a loja cria ambientes com marca própria, cada um com sortimento e atendimento específicos. Para o fornecedor, isso significa que a negociação deixa de ser por gôndola e passa a ser por ambiente.
A demanda do consumidor por conveniência explica o movimento. Quem entra para comprar pão ou café pode resolver a farmácia na mesma visita, e quem vai à farmácia pode levar snacks e castanhas para casa. A proximidade entre categorias que antes ficavam separadas é o que sustenta o formato.
Snacks e castanhas ganham espaço nobre
O Empório reúne pães, saladas, pizzas de fermentação natural, sanduíches, sopas, bolos, cafés e salgados, incluindo opções diet. Snacks e castanhas entram nesse conjunto como itens de compra por impulso, com giro alto e decisão rápida, o que ajuda a pagar o custo da área premium.
Farmácia dentro do mercado muda a cesta
A farmácia de 220 metros quadrados vai além de medicamentos: inclui suplementos, vitaminas e dermocosméticos. Essas categorias têm margem maior que a média do varejo alimentar e criam motivo de visita recorrente, o que compensa o investimento em área e em pessoal especializado.
Para a indústria de bens de consumo, o efeito é direto. Categorias de autocuidado passam a disputar espaço com alimentos, e a decisão de compra acontece no mesmo deslocamento. Quem fornece apenas produto, sem apoio de execução e material de ponto de venda, tende a perder prioridade nesse ambiente.
Reformas em série no Nordeste
A rede vem reformando lojas no Nordeste desde 2025, e a unidade de Aracaju faz parte dessa série. O padrão que se repete inclui peixaria, espaço de sushi, frutas e verduras, açougue e floricultura, cada um reposicionado para reforçar a experiência de compra.
O que muda para o fornecedor
Primeiro, o sortimento precisa caber em ambientes menores. Uma loja com quatro operações internas tem menos metros lineares por categoria, e a entrada depende de giro e de encaixe no ambiente, não apenas de volume total. Na prática, o item que vendia bem em uma gôndola de quatro metros pode não sustentar uma facing no empório, e a decisão precisa ser tomada com dado de venda por ambiente, não com a média da loja.
Segundo, a execução passa a valer mais que o desconto. Em um espaço com atendimento especializado, material de ponto de venda, planograma correto e reposição no prazo fazem diferença visível na venda. Um desconto de dez por cento dura o período da promoção, enquanto uma ruptura no expositor de castanhas custa a venda do mês inteiro e ainda empurra o cliente para a marca vizinha. Por isso a verba de trade rende mais quando vira reposição e treinamento do que quando vira redução de preço.
Terceiro, a negociação migra para o nível do ambiente. O espaço de farmácia tem regras próprias, o empório tem outras, e tratar a loja como um bloco único leva a acordos que não se sustentam na operação.
| Ambiente | Foco de sortimento | Motivo de visita | O que o fornecedor precisa entregar |
|---|---|---|---|
| Empório | Pães, pratos prontos, cafés | Refeição rápida | Reposição diária e vitrine |
| Adega | Vinhos e espumantes importados | Compra planejada e presente | Consultoria e material de origem |
| Farmácia | Medicamentos, suplementos, dermocosméticos | Autocuidado e urgência | Consultor técnico e exposição por necessidade |
| Mercearia | Itens essenciais e snacks | Compra semanal | Disponibilidade e preço estável |
Perguntas Frequentes
Por que uma rede coloca quatro operações na mesma loja?
Porque cada uma cria um motivo de visita diferente. Refeição rápida, vinho, autocuidado e compra semanal somam fluxo e aumentam o ticket sem exigir nova loja.
O formato reduz o espaço do fornecedor tradicional?
Reduz. Ambientes com marca própria ocupam área que antes era de gôndola comum, e a entrada passa a depender de giro e de encaixe no ambiente.
Snacks e castanhas realmente sustentam a área premium?
Ajudam. São itens de compra por impulso, com giro alto e decisão rápida, o que compensa parte do custo da área melhor posicionada.
O que a farmácia muda na cesta de compras?
Adiciona categorias de maior margem e cria recorrência. O risco é o fornecedor de alimentos perder prioridade quando o espaço é disputado por autocuidado.










