Até 2 de novembro de 2026, um estudo do World Data Lab e da EBANX mostra que o comércio eletrônico nos mercados emergentes, historicamente dominado pelos mais jovens, passa por uma transição demográfica que deve mudá-lo na próxima década. O gasto online da faixa de 65 anos ou mais deve crescer 12,2% ao ano, a maior taxa entre os grupos analisados. Pessoas com 45 anos ou mais devem adicionar 4,4 trilhões de dólares em gasto online nos próximos dez anos, o equivalente a metade do crescimento projetado. Para quem opera marketplace, isso muda o desenho de catálogo, de busca e de pagamento.
O que o estudo projeta
O número mais citado é o do envelhecimento, mas o dado de pagamento é o que mais afeta a operação. Se dois terços dos novos consumidores do comércio eletrônico não terão cartão de crédito, a jornada de checkout precisa funcionar sem ele. Isso inclui boleto, carteiras digitais, pagamento por aproximação e parcelamento sem cartão, cada um com regras próprias de risco e de prazo de compensação.
O estudo também projeta que a maior parte dos novos consumidores online terá mais de 45 anos: 223 milhões entre 45 e 64 anos e 170 milhões com 65 anos ou mais. Não é um público homogêneo. A faixa de 45 a 64 costuma comprar com mais frequência e comparar menos; a faixa acima de 65 tende a comprar menos vezes, com ticket maior e mais dependência de confiança no site.
| Faixa | Novos consumidores online | Comportamento de compra |
|---|---|---|
| 45 a 64 anos | 223 milhões | Mais frequência e menos comparação |
| 65 anos ou mais | 170 milhões | Menos compras, ticket maior, mais confiança |
| Gasto online 65 anos ou mais | Crescimento de 12,2% ao ano | Maior taxa entre os grupos do estudo |
Por que o marketplace muda de desenho
A primeira mudança é de busca. Um consumidor de 60 anos raramente navega por categorias como um de 25. Ele digita o nome do produto, ou pede ajuda. Isso desloca o peso do layout de vitrine para a qualidade do campo de busca e para a descrição do item. Um catálogo com nomes inconsistentes perde esse público antes do carrinho.
Confiança pesa mais que preço
Para quem começou a comprar online mais tarde, o risco percebido é maior. Política de troca visível, telefone de atendimento e prazo de entrega claro reduzem a hesitação mais do que um desconto adicional. A demanda do consumidor nessa faixa é por previsibilidade, e previsibilidade se comunica na página do produto, não no banner da campanha.
O intermediário de preço perde espaço
O Consumer Outlook 2027 da NIQ mostra que 72,1% dos brasileiros preferem economizar quando o produto não oferece benefício claramente superior. Combinado com o envelhecimento da base, o efeito é uma compressão do meio da prateleira: o item intermediário precisa justificar cada real com um atributo verificável, porque o consumidor mais velho compara menos, mas também tolera menos promessa vaga.
O que ajustar no catálogo
Primeiro, padronizar nomes de produto. Uma nomenclatura que combina marca, tipo, tamanho e quantidade resolve boa parte dos problemas de busca interna e reduz o abandono de quem digita em vez de navegar. É um trabalho de cadastro, não de design.
Segundo, revisar o checkout sem cartão. Cada meio alternativo tem um tempo de compensação diferente, e o prazo exibido ao consumidor precisa refletir o meio escolhido. Prometer dois dias quando o meio escolhido compensa em três gera contato de atendimento e avaliação negativa.
Meça por faixa, não pela média
A tendência do setor é clara: a base do comércio eletrônico nos emergentes envelhece mais rápido do que as operações conseguem reagir. Mas a média esconde a diferença. Uma operação que mede conversão apenas no agregado não vê que a faixa acima de 45 converte pior na busca e melhor na recompra. Separar as duas leituras é o que permite decidir onde investir.
Vale lembrar que os mais jovens continuam relevantes, sobretudo em regiões de idade média mais baixa, como a África Subsaariana. A conclusão não é abandonar o público jovem, e sim parar de tratá-lo como o único. Um catálogo desenhado só para navegação por categoria deixa dinheiro na mesa quando a base envelhece.
Dois números para acompanhar
O primeiro número é a taxa de busca sem resultado por faixa de idade. Ela indica se o catálogo está nomeado na linguagem de quem compra, e costuma ser mais alta justamente entre os consumidores mais velhos. O segundo é a recompra em 90 dias por meio de pagamento, que mostra se o meio alternativo sustenta recorrência ou serve apenas para a primeira compra.
Lidos juntos, apontam onde está o gargalo. Busca sem resultado alta com recompra saudável significa que o problema é de nomenclatura, não de oferta. Recompra baixa com conversão razoável significa que o meio de pagamento entrega a primeira compra e falha na segunda, o que é um problema de confiança e de prazo, não de preço.
Perguntas Frequentes
O envelhecimento da base muda o sortimento?
Muda menos do que muda a apresentação. As categorias continuam parecidas, mas a busca, a descrição do item e a política de troca passam a pesar mais do que o desconto adicional para quem começou a comprar online mais tarde.
Por que o dado de cartão de crédito é o mais operacional?
Porque define a jornada de checkout. Se dois terços dos novos consumidores não terão cartão, a operação precisa funcionar com boleto, carteira digital e parcelamento sem cartão, cada um com prazo próprio de compensação.
O consumidor mais velho compra menos?
Compra menos vezes, com ticket maior e mais dependência de confiança. A faixa de 45 a 64 costuma ser mais frequente e comparar menos. Tratar as duas faixas como uma só esconde essas diferenças.
Vale abandonar o público jovem?
Não. Os mais jovens seguem relevantes, sobretudo em regiões de idade média mais baixa. A mudança é parar de tratá-los como o único público e desenhar o catálogo para os dois perfis.










