Até 30 de outubro de 2026, o monitoramento mensal da ABRAS mostra que o Consumo nos Lares registrou alta de 0,59 por cento em setembro na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, o crescimento chega a 2,70 por cento, praticamente estável em relação aos 2,71 por cento acumulados até agosto. Os dados são deflacionados pelo IPCA, calculado pelo IBGE, e contemplam o desempenho de qualquer formato de supermercado.
O número de setembro e o acumulado
O dado mensal e o acumulado contam histórias diferentes. O acumulado indica uma trajetória positiva ao longo do ano, ainda que as famílias precisem conciliar o abastecimento da casa com outros compromissos do orçamento. O dado mensal mostra acomodação: depois de avanços de 3,01 por cento em julho e de 2,21 por cento em agosto, setembro recuou 1,46 por cento na comparação mensal, repetindo um padrão de retração que já havia aparecido em setembro de 2024 e de 2025.
Essa repetição é o ponto mais útil para quem planeja sortimento. Um recuo em setembro não significa perda de demanda, significa mudança de ritmo entre um mês de férias e um mês de rotina escolar. Redes que tratam o mês isolado como tendência costumam ajustar pedidos na direção errada e depois pagam a diferença em ruptura ou em estoque parado na gôndola.
O que a acomodação mensal indica
A leitura correta do deflator
Como os números são deflacionados pelo IPCA, a alta representa volume, não preço. Isso importa porque a cesta de 35 produtos monitorada pela Abras subiu 1,09 por cento em setembro na média nacional, ou seja, preço e volume andaram em direções diferentes no mesmo mês. Quando o preço sobe e o volume cresce menos, a receita da loja pode até subir enquanto a quantidade vendida fica estável.
Formatos de loja e a mesma demanda
O indicador contempla o desempenho de qualquer formato de supermercado, o que significa que a demanda não está concentrada em um modelo específico. Para a operação, isso reforça a importância de medir a mesma cesta em formatos diferentes, porque um atacarejo e uma loja de bairro podem capturar a mesma família em ocasiões distintas e com margens distintas.
| Indicador | Resultado | O que sinaliza | Como verificar |
|---|---|---|---|
| Setembro contra 2025 | Alta de 0,59 por cento | Crescimento moderado | Série mensal da Abras |
| Julho e agosto | 3,01 e 2,21 por cento | Ritmo mais forte no inverno | Mesma série |
| Setembro contra agosto | Queda de 1,46 por cento | Acomodação sazonal | Comparação mensal |
| Acumulado do ano | 2,70 por cento | Trajetória positiva | Acumulado jan a set |
Demanda do consumidor e o que medir na loja
A tendência do setor aponta para um consumo que cresce devagar e com orçamento apertado. Nesse cenário, a disputa não é por quem vende mais barato, é por quem evita a ruptura no item que a família já decidiu comprar. Um indicador agregado de 2,70 por cento no ano esconde diferenças enormes entre categorias, e são essas diferenças que definem o pedido de cada loja.
A recomendação prática é acompanhar três coisas por loja: a disponibilidade dos itens de maior giro, a participação das marcas próprias na cesta e o comportamento do ticket médio nas semanas de recuo sazonal. Quando o volume agregado desacelera, o ticket médio costuma ser o primeiro a mostrar se a família está trocando item ou simplesmente comprando menos.
Como transformar o dado em decisão
O caminho mais curto é comparar o índice nacional com o desempenho da própria rede. Se a rede cresce abaixo do indicador, o problema é competitivo; se cresce acima, o ganho pode ser de participação e vale identificar em qual categoria ele aconteceu. Sem essa comparação, o número da Abras vira contexto e não decisão, e o planejamento segue baseado em percepção.
O segundo passo é separar preço de volume no relatório interno. Uma alta de receita com volume estável significa ganho de preço ou de mix, e nenhuma das duas coisas se sustenta sem disponibilidade. Por isso a leitura conjunta do índice de consumo com a taxa de ruptura é mais informativa do que qualquer um dos dois isolado.
Perguntas Frequentes
O consumo está crescendo ou desacelerando?
Depende do recorte. O acumulado do ano cresce 2,70 por cento, mas setembro recuou 1,46 por cento na comparação mensal. O padrão de recuo em setembro já apareceu em 2024 e 2025, o que indica sazonalidade.
Por que o número é deflacionado?
Para medir volume e não preço. Como a cesta de 35 produtos subiu 1,09 por cento em setembro, sem deflator a alta do consumo poderia ser apenas inflação disfarçada de crescimento.
O indicador vale para qualquer formato de loja?
Sim, contempla o desempenho de qualquer formato de supermercado. Isso permite comparar atacarejo e loja de bairro, desde que a cesta medida seja a mesma.
Como usar o dado no planejamento de sortimento?
Comparando com o desempenho da própria rede e abrindo por categoria. O agregado esconde diferenças grandes, e são elas que definem o pedido de cada loja.










