Até 30 de outubro de 2026, o estudo Brand Footprint 2026 da Worldpanel by Numerator apontou a Natura pelo segundo ano consecutivo como a marca com mais transações no e-commerce de bens de consumo massivo no Brasil. Foram 5 milhões de transações em 2025, cerca de 3 milhões de compradores únicos e média de 1,8 compra por ano. O volume online da marca é quase o dobro do segundo colocado no levantamento.
Cinco milhões de transações e 1,8 compra por ano
O dado central é a frequência. Cinco milhões de transações distribuídas em cerca de três milhões de compradores únicos dão média de 1,8 compra por ano, o que indica base ampla e recorrência baixa. Para uma marca de higiene e beleza, isso significa que a maior parte da receita vem de compradores que voltam pouco ao canal.
O volume online da Natura é quase o dobro do segundo colocado, o que separa a marca do pelotão. A distância, porém, foi construída em um canal que cresceu rápido: segundo a Kantar, o comércio eletrônico alcançou 45,4% dos lares brasileiros em 2025 para bens de consumo massivo, contra 31,1% em 2024.
Três efeitos da expansão do canal
Novos entrantes mudam a cesta
A expansão foi impulsionada sobretudo por novos entrantes das classes C e D/E e por consumidores de até 29 anos. Esse público compara mais e compra menos por visita, o que muda a composição da cesta e reduz o ticket médio, mesmo quando o número de compradores cresce com força.
Higiene e beleza concentram receita
A categoria responde por 50% do faturamento total do e-commerce no setor de bens de consumo no país, o que explica a vantagem de marcas com portfólio nesse segmento. Também explica por que a disputa de preço é mais intensa ali: é onde o volume está concentrado e onde a comparação é mais fácil.
Frequência é o gargalo
Com 1,8 compra por ano, a marca depende de aquisição constante para sustentar volume, e aquisição fica mais caro quando o canal amadurece. A tendência do setor é migrar o esforço de captação para recompra, com assinatura, lembrete e reposição programada, porque a base já existe.
Como acompanhar a liderança
| Campo | O que mede | Critério de leitura |
|---|---|---|
| Transações | Volume do canal | Crescimento acima do mercado |
| Compradores únicos | Alcance da base | Comparado com o trimestre anterior |
| Frequência | Recompra média | Acima de 1,8 por ano |
| Ticket médio | Valor por compra | Estável ou crescente |
| Demanda do consumidor | Intenção de recompra | Medida por pesquisa própria |
A leitura correta combina volume e frequência. Uma marca pode liderar em transações e ainda assim ter base frágil, se cada comprador aparece menos de duas vezes por ano. O indicador que antecipa problema é a recompra, não o total de pedidos, porque ele mostra se o cliente voltou por escolha ou por promoção.
Também vale separar canal próprio de marketplace. A liderança em transações inclui pontos de venda diferentes, com margens e custos de aquisição distintos. Sem essa separação, a marca sabe que lidera e não sabe onde ganha dinheiro, o que dificulta decidir onde investir no ciclo seguinte.
Prioridades para o próximo ciclo
A prioridade do próximo ciclo não é defender a posição no ranking, e sim transformar base ampla em recorrência. Uma marca com três milhões de compradores e 1,8 compra por ano tem espaço claro para crescer sem adquirir um único cliente novo, bastando elevar a frequência de quem já comprou.
Perguntas Frequentes
O que o Brand Footprint mede?
O CRP combina o número de lares compradores com a frequência de compra, e no ambiente digital é lido pelo total de transações e de compradores únicos.
Por que 1,8 compra por ano é um alerta?
Porque indica que a maior parte da base compra uma vez e não volta no mesmo ano, o que torna o volume dependente de aquisição contínua.
Qual categoria puxa o e-commerce de bens de consumo?
Higiene e beleza, responsável por 50% do faturamento do setor no canal online, segundo o levantamento citado.
Como usar o dado para decidir preço?
Separando canal próprio de marketplace e medindo a diferença de preço entre eles, porque a promoção que aumenta volume pode reduzir a recompra.










