Até 30 de outubro de 2026, o indicador Abrasmercado, que acompanha 35 produtos de largo consumo, registrou alta de 1,09 por cento em setembro e levou o valor médio da cesta de R$ 837,14 para R$ 846,22. Para quem monitora preço na gôndola, o número agregado é o menos informativo: o tomate subiu 37,76 por cento no mês, a batata avançou 24,07 por cento e o Centro-Oeste ficou 1,97 por cento acima de agosto, quase o triplo do Nordeste.
Um por cento na média e 37 por cento no tomate
O resultado interrompe dois meses de queda: o indicador havia recuado 1,24 por cento em julho e 0,57 por cento em agosto. No acumulado de janeiro a setembro, a alta chega a 5,73 por cento, o que significa que a cesta média do brasileiro ficou R$ 45,88 mais cara em nove meses, considerando o valor de setembro contra o início do ano.
A composição interna é o que interessa a quem trabalha com preço. O arroz subiu 4,56 por cento em setembro, depois de avançar 1,34 por cento em agosto, e acumula 4,96 por cento no ano. O óleo de soja teve alta de 1,83 por cento no mês, mas cai 8,59 por cento no acumulado. O feijão recuou 4,12 por cento, terceira queda mensal consecutiva, e ainda assim acumula alta de 36,43 por cento em 2026.
O que a média nacional esconde
Três velocidades na mesma cesta
A primeira velocidade é a dos perecíveis, com variações de dois dígitos em um único mês. Tomate, batata e cebola subiram 37,76, 24,07 e 10,14 por cento, respectivamente, e no acumulado do ano avançam 58,70, 45,55 e 61,81 por cento. São itens de compra semanal, com alta visibilidade para o consumidor e efeito imediato na percepção de preço da loja.
A segunda velocidade é a dos básicos com ajuste lento, como arroz, leite longa vida e óleo de soja. O leite longa vida acumula alta de 27,00 por cento no ano, apesar da queda de 0,26 por cento em setembro. A terceira é a dos itens em correção, caso do café torrado e moído, que caiu 1,09 por cento no mês e acumula retração de 16,19 por cento, e do açúcar refinado, com queda de 13,64 por cento no ano.
| Categoria | Variação em setembro | Acumulado no ano |
|---|---|---|
| Tomate | +37,76% | +58,70% |
| Batata | +24,07% | +45,55% |
| Cebola | +10,14% | +61,81% |
| Arroz | +4,56% | +4,96% |
| Feijão | -4,12% | +36,43% |
| Café torrado e moído | -1,09% | -16,19% |
Preço por região muda a leitura da gôndola
Centro-Oeste contra Nordeste
Todas as cinco macrorregiões registraram alta em setembro, mas em ritmos distintos. O Centro-Oeste subiu 1,97 por cento, com a cesta passando de R$ 786,58 para R$ 802,04. O Norte avançou 1,83 por cento, o Sudeste 1,50 por cento e o Sul 1,38 por cento. O Nordeste teve a menor elevação, 0,70 por cento, e manteve a cesta de menor valor médio, de R$ 756,86.
Em doze meses, a dispersão é ainda maior: o Norte acumula 8,21 por cento, o Centro-Oeste 6,81 por cento, o Sudeste 6,37 por cento, o Nordeste 6,30 por cento e o Sul 5,36 por cento. Para uma rede nacional, isso significa que a mesma política de preço produz efeitos diferentes por praça, e que a média nacional não serve como referência de gôndola em nenhuma delas.
Como monitorar 35 SKUs sem perder o sinal
Do preço médio ao preço praticado
O primeiro passo é reproduzir a cesta do indicador na operação real, item por item, com o preço efetivamente praticado no ponto de venda e a data da coleta. A média do Abrasmercado serve como referência de mercado, não como preço de gôndola: entre o valor pesquisado e o valor cobrado há promoção, ruptura e diferença de embalagem.
O segundo passo é separar as três velocidades identificadas no mês, porque cada uma exige decisão diferente. Perecível com alta de dois dígitos pede revisão de margem e de exposição; básico com ajuste lento pede acompanhamento semanal; item em correção abre espaço para promoção. O terceiro passo é comparar a própria rede com o indicador na mesma praça, e não com a média nacional.
Perguntas Frequentes
Por que a média de 1,09 por cento não representa a gôndola?
Porque é uma média de 35 produtos com pesos próprios. Itens como tomate, com alta de 37,76 por cento, e café, com queda de 1,09 por cento, se compensam no cálculo e escondem o movimento de cada categoria.
Qual recorte regional usar para comparar preço?
O da praça onde a loja opera. Em setembro, o Centro-Oeste subiu 1,97 por cento e o Nordeste 0,70 por cento, diferença que muda a decisão de reprecificação em cada rede.
Como saber se um item está caro em relação ao mercado?
Comparando o preço praticado na loja com o indicador da mesma região e com o preço do mês anterior do mesmo item, sempre com embalagem e unidade de medida equivalentes.
O indicador serve para prever o preço do próximo mês?
Serve como referência de tendência, não como previsão. A série mostra três quedas consecutivas no feijão e no café, mas a alta dos perecíveis depende de safra e de clima, fatores que o índice não antecipa.










