Sales: +86 10 6296 7490
Marketplace e fachada dividem a verba de mídia
2026-11-08博晓通

Marketplace e fachada dividem a verba de mídia

Marketplace e fachada dividem a verba de mídia article image

Até 7 de novembro de 2026, a verba de mídia do varejo brasileiro passou a ser disputada em dois endereços que antes viviam separados. De um lado, o guia de boas práticas de commerce media lançado pelo IAB Brasil, que trata retail media como subconjunto de um conceito maior e abre espaço para saúde, serviços financeiros e mobilidade. Do outro, a expansão física: a Cencosud chega a 1,3 mil telas em 100 lojas, a Leroy Merlin instalou um painel de LED de 6,72 metros no Morumbi e a Oxxo levou mídia exterior com 3D anamórfico para Santos. A pergunta que sobra para o anunciante é simples: essa verba sai do orçamento do site ou do orçamento da loja.

O guia do IAB muda o nome e o escopo da verba

Fatos conhecidosNão confirmadoPrecisa verificar
O IAB Brasil lançou o Guia de Boas Práticas de Commerce Media em 5 de novembro de 2026Se o mercado vai migrar de nomenclatura em 2027Quais operadores já reportam no novo padrão
O guia foi construído a partir de 50 entrevistas com anunciantes, varejistas, redes, agências e empresas de mensuraçãoSe a amostra cobre o varejo regionalA lista de participantes por segmento
A publicação propõe uma Ficha de Transparência de Mensuração para comparar critérios de mediçãoSe as plataformas vão aderir voluntariamenteO prazo e o formato de publicação das fichas

A mudança de vocabulário não é cosmética. Ao definir commerce media como o conceito mais amplo e retail media como o subconjunto maduro, o guia cria uma categoria guarda-chuva onde a tela da loja, o site do varejista e o aplicativo de um parceiro passam a ser comparáveis. Para quem compra mídia, isso significa que a fachada deixa de ser uma linha de trade marketing e passa a competir com o inventário digital pela mesma verba, com a mesma exigência de métrica. É uma mudança de mesa de negociação, não de slogan.

A leitura vale para qualquer canal do varejo: o preço do produto na gôndola e o preço do espaço publicitário passam a ser negociados com a mesma lógica de retorno, e a demanda do consumidor por uma oferta relevante é o que separa a tela que vende da tela que só ocupa parede. Sem essa ligação com o produto, a fachada vira custo fixo e a verba migra de volta para o site no trimestre seguinte.

1,3 mil telas, um painel de 6,72 metros e uma banca em 3D

Os três anúncios recentes mostram velocidades diferentes do mesmo movimento. A Cencosud saiu de 45 lojas em junho para 100 lojas até o fim do ano, com 1,3 mil telas distribuídas entre Prezunic, GBarbosa, Bretas e Giga Atacado, e projeta impactar mais de 4,3 milhões de pessoas por mês. A Leroy Merlin trocou lonas por um painel de 6,72 metros por 2,56 metros na loja do Morumbi, em São Paulo, em projeto piloto que a rede chama de pioneiro na operação global. A Oxxo, em Santos, apostou em mobiliário urbano com banca digital e conteúdo 3D anamórfico, dentro de uma ideia de mídia regenerativa.

OperaçãoEscala divulgadaFormatoO que ainda está em teste
Cencosud1,3 mil telas em 100 lojas, 4,3 milhões de pessoas por mêsCircuito de telas digitais no ponto de vendaPadronização de relatório entre quatro bandeiras
Leroy MerlinPainel de 6,72 m por 2,56 m na loja do MorumbiLED substituindo lonas, conteúdo em tempo realPercepção do cliente, adesão de anunciantes e impacto por categoria
OxxoAção concentrada em SantosBanca digital com 3D anamórfico e painéis OOH e DOOHEfeito de lembrança e custo por impacto fora da loja

Por que a fachada passou a entrar no mesmo orçamento do site

Audiência declarada e audiência medida

A tela da loja tem uma vantagem que o site não tem: ela vê o cliente no momento em que ele decide. A Cencosud informa que mais de 80 por cento das vendas da companhia são identificadas, o que permite segmentar campanha por região e por banda de consumo. O limite aparece na medição: impacto em pessoas por mês é uma estimativa de circulação, não uma contagem de exposição qualificada. Sem uma ficha que declare como o número foi produzido, o anunciante compara uma métrica de loja com uma métrica de site e conclui a coisa errada.

O que a ficha de transparência resolve

A Ficha de Transparência de Mensuração proposta pelo IAB Brasil ataca exatamente esse ponto, ao pedir que cada operador declare a critério de medição usada. Para a rotina de compra, isso muda a pergunta: em vez de perguntar quantas telas existem, o comprador pergunta como a audiência foi contada, qual o período, se há sobreposição com o digital e qual o critério de atribuição. Duas operações com o mesmo número de telas podem entregar resultados muito diferentes, e a ficha é o que permite ver a diferença antes de assinar.

Como dividir a verba entre fachada e site sem chutar

A prática mais comum ainda é separar orçamentos por área e comparar no fim do ano, quando nenhuma das duas consegue provar causalidade. Uma alternativa é tratar os dois como canais de um mesmo funil, com metas distintas: a fachada assume reconhecimento e conversão de quem já está na loja, o site assume descoberta e recompra. O que não pode acontecer é a fachada ser vendida com a promessa de conversão atribuída ao clique, porque aí a comparação nasce viciada.

  1. Liste os circuitos disponíveis por bandeira e por praça, com número de telas e de lojas atendidas.
  2. Peça a critério de medição de audiência por escrito e compare com o painel do site no mesmo período.
  3. Defina metas separadas para fachada e site antes de ratear a verba.
  4. Registre o piloto com prazo e critério de saída, como a Leroy Merlin fez no Morumbi.
CampoExemploPor que é registrado
Circuito100 lojas, 1,3 mil telasDá escala ao inventário
Audiência declarada4,3 milhões por mêsBase da comparação
Critério de mediçãoContagem de circulaçãoMostra o limite do número
Meta do pilotoAdesão de anunciantesCritério de expansão

O risco de não fazer isso é conhecido: a verba migra para o formato que tem relatório mais bonito, não para o que vende mais. Com telas em 100 lojas e painéis de LED substituindo lona, o volume de inventário cresce rápido, e a única forma de o anunciante não pagar por cobertura sem retorno é exigir a mesma disciplina de medição que já exige do site.

Perguntas Frequentes

  • O que muda com o guia de commerce media do IAB Brasil?

    O guia define commerce media como o conceito mais amplo e retail media como um subconjunto maduro, concentrado no varejo. Na prática, a tela da loja passa a ser comparável ao inventário digital do site, com exigência de métrica equivalente e uma ficha que declara a critério de medição de cada operador.

  • Quantas telas a Cencosud tem hoje no Brasil?

    A rede projeta mais de 1,3 mil telas em 100 lojas até o fim do ano, contra 45 lojas em junho, o que representa crescimento de 122 por cento no número de lojas atendidas. A operação cobre as bandeiras Prezunic, GBarbosa, Bretas e Giga Atacado.

  • Por que a audiência da fachada não é comparável à do site?

    Porque o número divulgado costuma ser uma estimativa de circulação de pessoas por mês, não uma contagem de exposição qualificada. Sem declarar a critério de medição, o anunciante compara grandezas diferentes e conclui que um canal performa melhor apenas porque mede de outro jeito.

  • Qual o primeiro passo para ratear verba entre loja e site?

    Definir metas separadas antes de dividir o orçamento e exigir a critério de medição de audiência por escrito para o mesmo período. Depois, registrar o piloto com prazo e critério de saída, como a Leroy Merlin fez com o painel da loja do Morumbi.

Fontes