Até 7 de novembro de 2026, o movimento mais concreto de sortimento no varejo brasileiro não vem de uma campanha, e sim de uma reforma de loja: o GBarbosa vai incorporar a marca Perini em mais de 160 unidades, distribuídas por 115 cidades de Sergipe, Bahia, Alagoas e Pernambuco, até o fim de 2027. As duas marcas pertencem à chilena Cencosud e passam a dividir espaço no modelo store in store, com o portfólio da Perini entrando em produtos artesanais, padaria, confeitaria e empório. Para uma equipe de categoria, é um caso raro de inovação de sortimento documentada passo a passo, com número de lojas, prazo e escopo definidos.
O que a fusão de sortimento propõe
Store in store como teste de categoria
O modelo store in store resolve um problema clássico de sortimento: como testar uma categoria de margem mais alta sem comprometer a loja inteira. Em vez de substituir gôndolas, a marca convidada ocupa um espaço delimitado, com identidade própria e sortimento curado. Isso permite medir o desempenho da categoria isoladamente, comparar lojas convertidas com lojas ainda não convertidas, e decidir a expansão com base em giro real, não em expectativa. É a diferença entre uma reforma e um experimento controlado.
Por que padaria e empório entram primeiro
Padaria, confeitaria e empório têm três características que os tornam bons candidatos a esse tipo de teste: giro diário, percepção de frescor e margem acima da média do supermercado. Também são categorias em que a produção local importa, o que explica a escolha de uma marca baiana para operar dentro de uma rede com forte presença no Nordeste. Se o teste funcionar nessas categorias, o passo seguinte costuma ser estender o conceito a itens de maior valor agregado dentro do mesmo espaço. Vale notar que inovação de sortimento, nesse formato, raramente vem de embalagem nova: vem de mudar quem produz e onde o produto é feito, o que altera prazo de validade, lote e reposição.
A conta entre sortimento e venda por loja
Vale traduzir o anúncio em números de operação. Converter 160 lojas em 27 meses significa cerca de seis lojas por mês, um ritmo que exige equipe de reforma, treinamento e reposição ao mesmo tempo. Cada loja convertida troca parte do sortimento tradicional por um bloco curado, e essa troca precisa ser compensada por giro maior nas categorias que entram. A tabela abaixo organiza o que muda em cada dimensão.
| Dimensão | Antes da conversão | Depois da conversão | Indicador a acompanhar |
|---|---|---|---|
| Sortimento | Categorias tradicionais da rede | Bloco curado com padaria, confeitaria e empório | Giro por metro quadrado do bloco |
| Identidade visual | Padrão único da rede | Espaço com marca própria dentro da loja | Tráfego atraído pelo bloco |
| Produção | Escala centralizada | Produção local com receita da marca convidada | Perda por validade e ruptura |
| Ritmo de implantação | Reformas pontuais | Cerca de seis lojas por mês | Lojas convertidas contra o cronograma |
| Preço | Posicionamento de rede | Prêmio nas categorias artesanais | Preço médio por categoria |
O risco de canibalizar a própria cesta
Cada entrada de sortimento novo disputa espaço com o que já existia. Se o bloco curado simplesmente desloca a venda de itens que a loja já vendia, o resultado é custo maior com receita igual. O teste só faz sentido se a categoria trouxer cliente novo ou aumentar o ticket da visita. Por isso a comparação precisa ser feita entre lojas convertidas e lojas semelhantes não convertidas, e não apenas antes e depois na mesma loja, que mistura efeito da reforma com sazonalidade.
Como avaliar a conversão em três meses
A avaliação abaixo foi desenhada para o ritmo do projeto, que converte cerca de seis lojas por mês. Ela compara grupos de lojas, controla a sazonalidade pelo par não convertido e produz uma decisão binária por categoria: manter, ajustar ou sair. É o tipo de rotina que evita a expansão por inércia, que é o erro mais comum em projetos de store in store.
- Selecione para cada loja convertida uma loja par semelhante em porte, região e perfil de cliente, e mantenha o par por o período completo de avaliação.
- Meça giro e margem do bloco curado, e também a venda das categorias vizinhas, para detectar canibalização.
- Acompanhe ruptura e perda por validade nas categorias de produção local, que são as mais sensíveis ao ritmo de reposição.
- Ao fim de três meses, decida por categoria: manter, ajustar sortimento ou sair, e registre a decisão com o número que a sustentou.
Feita assim, a decisão de expandir deixa de depender da impressão da primeira loja e passa a ter base comparável. É também o argumento que sustenta a conversa com o fornecedor: em vez de pedir mais espaço, a rede mostra qual categoria paga o espaço que ocupa, o que costuma ser mais eficaz do que qualquer negociação de verba.
Perguntas Frequentes
Quantas lojas vão receber a marca Perini?
Mais de 160 unidades em 115 cidades de Sergipe, Bahia, Alagoas e Pernambuco, até o fim de 2027, no modelo store in store.
Em que fase está o projeto?
Começou em 2025, já reformou 19 lojas e tem meta de 25 unidades modernizadas até o fim de 2026.
Como saber se o novo sortimento funcionou?
Comparando lojas convertidas com lojas pares semelhantes não convertidas, medindo giro, margem, preço médio dos produtos e canibalização das categorias vizinhas.










