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Profarma dobra o CD gaúcho e a ruptura continua
2026-11-07博晓通

Profarma dobra o CD gaúcho e a ruptura continua

Profarma dobra o CD gaúcho e a ruptura continua article image

Até 5 de novembro de 2026, o Grupo Profarma informou que o novo centro de distribuição da Profarma Distribuição no Rio Grande do Sul entra em operação no dia 9 de novembro, com 8 mil metros quadrados em um condomínio logístico, quase o dobro da capacidade da operação atual e espaço já reservado no layout para automação de grande porte. A capacidade total deve ser atingida em dezembro. Para quem vende em farmácia, o número que importa não é o tamanho do galpão, e sim quanto desse estoque chega à gôndola certa, no dia em que o cliente procura.

O que o novo CD muda na conta da reposição

Fatos conhecidosNão confirmadoA verificar
Inauguração marcada para 9 de novembroSe a operação plena começa na dataAviso oficial da companhia
8 mil metros quadrados em condomínio logísticoGanho real por linha de produtoCapacidade por família de SKU
Quase o dobro da operação atualQuanto é volume e quanto é sortimentoMix atendido antes e depois
Capacidade total prevista para dezembroFormato da curva de rampaVolume movimentado por semana

O centro fica em um condomínio logístico no Rio Grande do Sul e foi desenhado para acompanhar o crescimento da operação, segundo a própria empresa. O ponto que interessa ao varejo de saúde é outro: capacidade de armazenagem maior só se converte em venda quando o pedido da loja é montado com o mix correto, na frequência correta, e chega antes de a prateleira esvaziar. Um galpão duas vezes maior que entrega uma vez por semana produz mais ruptura do que um galpão antigo que entrega três vezes.

O superintendente de Planejamento Logístico da Profarma Distribuição, Gustavo Pires, afirma que a unidade entrega quase o dobro da capacidade da operação atual e já conta com espaço definido em seu layout para receber automação de grande porte nos próximos anos. Traduzindo para a rotina de loja: o ganho de 2026 é de área e de fluxo, não de robô. A automação é uma promessa de 2027 em diante, e o pedido de compra do próximo verão não pode ser montado sobre ela.

Oito mil metros quadrados e quase o dobro de capacidade

A empresa não divulgou o número de posições-palete nem o volume movimentado por dia, e é justamente essa lacuna que separa o anúncio da operação. Área construída mede o galpão; o que mede o serviço é o número de linhas separadas por hora e o tempo entre o pedido da loja e a entrega na porta. Sem esses dois números, o dobro de capacidade é apenas o dobro do telhado, e o gerente da loja continua sem saber quando o item que faltou na terça volta a aparecer.

Automação prevista, não instalada

Karla Peçanha, superintendente do Escritório de Projetos do Grupo Profarma, diz que a companhia segue investindo em estrutura, tecnologia e capacidade operacional. A leitura correta é de um ciclo longo: primeiro o espaço, depois o software de endereçamento, por último os equipamentos. Cada etapa muda o desenho do pedido, e o sortimento planejado para o pico precisa caber na etapa em que a operação realmente está, não na que foi anunciada.

Capacidade de CD não é disponibilidade de loja

Um centro de distribuição maior reduz o custo por caixa e permite sortimento mais amplo, mas a ruptura que o cliente vê nasce a dois metros dele, na gôndola. A distância entre o CD e a prateleira é feita de pedido de loja, janela de entrega e reposição interna. Sem dado de loja, o CD maior pode até piorar a percepção, porque concentra mais volume em menos entregas e transforma uma falta pontual em falta de sortimento.

Elo da cadeiaO que costuma falharSinal que dá para acompanhar
Centro de distribuiçãoSeparação travada no picoLinhas por hora e erro de separação
TransporteJanela perdida na porta da lojaAtraso por rota e por dia da semana
LojaReposição fora do horário de movimentoDisponibilidade medida por período
BalcãoItem pedido pelo cliente em faltaVenda perdida registrada com motivo

O último elo é o único que aparece com nome e hora. Quando o cliente pede um item e ouve que acabou, a perda deixa de ser estatística e vira evento registrável, com data, produto e atendente. Medir a falta no balcão, e não apenas o saldo do sistema, revela a ruptura que o CD maior não resolve, porque ela nasce do intervalo entre o que a loja pediu e o que a loja precisava pedir.

A entrega em minutos ampliou esse intervalo em vez de fechá-lo. Operações de varejo instantâneo trabalham com raio de 2 a 5 quilômetros, sortimento curto de alta rotatividade e estoque lido em tempo real, e mais de 60 por cento dos consumidores brasileiros dizem aceitar pagar mais por entrega rápida. Quando a farmácia da esquina passa a competir nesse relógio, a disponibilidade deixa de ser indicador de sortimento e passa a ser indicador de receita.

Como medir antes que a falta chegue ao balcão

A rotina abaixo cabe em uma semana e não depende de projeto de tecnologia. O objetivo é separar três coisas que o relatório de estoque costuma misturar: falta real, falta de cadastro e falta de reposição. Enquanto as três aparecem como o mesmo número zero, a loja compra o item errado e o CD entrega no dia errado.

  1. O analista lista os 50 itens de maior giro por loja e cruza com o saldo do sistema na abertura e no fechamento.
  2. O responsável de estoque marca quais desses itens têm ponto de reposição cadastrado e quais dependem de pedido manual.
  3. O gerente da loja registra a falta no balcão com motivo, para separar erro de cadastro de atraso de entrega.
  4. O time de supply compara a frequência de entrega atual com a frequência que o giro exige em cada faixa de loja.
  5. O diretor comercial revisa o resultado em quatro semanas, antes de ampliar sortimento com base no CD novo.
CampoValor de exemplo
LojaPorto Alegre, zona norte
ItemAnalgésico 500 mg, 20 comprimidos
Saldo do sistema3 unidades
Falta no balcão2 ocorrências na semana
MotivoReposição interna fora do horário
AçãoReposição antes das 10h e às 16h

O ganho de fazer isso agora é comparativo. Em dezembro, quando a nova unidade estiver em capacidade total, a loja terá uma série própria para comparar com a série de novembro, e a decisão de ampliar sortimento passa a ter base. Sem a série, o CD maior vira desculpa para comprar mais do que a loja consegue repor, e a ruptura sobe justamente no trimestre em que a capacidade dobrou.

Perguntas Frequentes

  • O CD novo resolve a ruptura da farmácia?

    Resolve parte. Ele aumenta capacidade de armazenagem e reduz o custo por caixa, mas a falta que o cliente vê depende da frequência de entrega e da reposição dentro da loja. Capacidade sem frequência apenas desloca o problema do galpão para a gôndola.

  • O que muda para a região Sul na prática?

    Menos dependência de transferência entre estados e prazo mais curto entre pedido e entrega. O efeito aparece primeiro em sortimento, com mais linhas disponíveis, e só depois em disponibilidade por loja, que exige ajuste de pedido.

  • Vale esperar a automação para revisar o sortimento?

    Não. A automação está prevista para os próximos anos e depende de software e equipamentos que ainda não estão instalados. Revisar sortimento agora, com dado de loja, é o que prepara a operação para aproveitar a automação depois.

  • Qual indicador acompanhar primeiro?

    Disponibilidade por linha nas lojas de maior giro, medida por período do dia, ao lado da falta registrada no balcão. É o par que mostra se o problema está no CD, no transporte ou na reposição interna.

Fontes