Até 7 de novembro de 2026, o levantamento divulgado pela Hellmann's é um dos poucos materiais do mês que permite discutir preferência de marca com números abertos. A pesquisa da Opinion Box aponta que 83 por cento dos consumidores escolhem Hellmann's como a maionese preferida, e a marca detém 63 por cento de participação em valor no mercado brasileiro de maionese, segundo a Nielsen Market Track. O dado de 2025 completa o quadro: a marca cresceu 15,9 por cento em valor, acima dos 13,5 por cento do mercado. Para quem trabalha com comércio eletrônico, a pergunta não é se o número é bom, mas o que ele realmente mede, porque preferência declarada e avaliação do consumidor são registros diferentes e costumam ser confundidos na hora de montar a página do produto.
Preferência Declarada e Avaliação Registrada
A primeira distinção é simples e costuma ser ignorada. Uma pesquisa de preferência mede intenção: a pessoa responde o que escolheria se tivesse de escolher. Uma avaliação registrada mede experiência: a pessoa já comprou e escreveu sobre o que recebeu. As duas informações são úteis, mas não substituem uma à outra. Quando um fornecedor coloca a frase mais vendida na página do produto, ele está usando um dado de mercado; quando coloca a nota média das avaliações, está usando um dado de experiência. Misturar os dois na mesma chamada é o erro mais comum e o mais fácil de ser apontado por um cliente atento.
O segundo ponto é o recorte. Os atributos que a pesquisa destaca entre quem escolheu a marca, sabor com 79 por cento, qualidade com 70 por cento e textura e cremosidade com 50 por cento, são declarações de motivo, não de desempenho. Eles explicam por que a marca é escolhida, e não como ela é avaliada depois. Em uma página de marketplace, esses motivos aparecem traduzidos em palavras diferentes: o consumidor escreve sobre consistência do produto, validade, embalagem e entrega, e não sobre os atributos que a pesquisa listou.
Como Validar o Número de 83 por Cento
O Que a Pesquisa Mede
Uma pesquisa de preferência com 83 por cento de menção em uma categoria de compra recorrente é um resultado forte, mas precisa de contexto para ser interpretado. O material não detalha tamanho de amostra nem recorte regional, e um número de preferência sem ficha técnica serve para comunicação, não para planejamento de sortimento. Para o varejista, a pergunta prática é outra: essa preferência se converte em escolha na gôndola quando o preço da marca líder é maior que o do concorrente ao lado.
O Que o Marketplace Mostra
A avaliação do consumidor em marketplace responde a essa pergunta de outro jeito. Ela mostra o que aconteceu depois da compra, incluindo o efeito do preço, do prazo e da embalagem. Uma marca com preferência alta e nota média menor no ambiente digital costuma ter um problema de expectativa: o cliente comprou esperando o produto da propaganda e recebeu outro formato, ou recebeu o produto certo em uma embalagem danificada. A análise de sentimento separa esses casos quando é feita por tema, e não apenas pela nota geral.
| Indicador | Fonte declarada | Valor | O que ele prova |
|---|---|---|---|
| Preferência de marca | Pesquisa Opinion Box | 83 por cento dos consumidores | Intenção declarada, útil para comunicação |
| Participação em valor | Nielsen Market Track | 63 por cento do mercado de maionese | Posição real de venda no mercado medido |
| Crescimento da marca contra o mercado | Nielsen, 2025 | 15,9 por cento contra 13,5 por cento | Ganho de participação, não apenas crescimento de categoria |
| Confiança na marca | Edelman Trust Barometer 2026 | 91 por cento consideram confiança decisiva; 93 por cento dos que conhecem a marca confiam nela | Disposição para comprar sem experimentar antes |
Atributos Que Sustentam Preço
O terceiro dado da pesquisa é o mais acionável para quem monta uma página de produto. Sabor com 79 por cento, qualidade com 70 por cento e textura e cremosidade com 50 por cento são os motivos de escolha, e cada um deles pode ser verificado pelo consumidor de uma forma específica. Sabor e textura só se confirmam no uso; qualidade e confiança se confirmam antes, pela leitura da página. É por isso que a nota e o texto das avaliações pesam tanto em categorias de alimento: eles antecipam a experiência que o cliente ainda não teve.
O dado de confiança do Edelman Trust Barometer reforça esse ponto. Entre os brasileiros entrevistados, 91 por cento consideram a confiança na marca um critério importante ou decisivo de compra, praticamente no mesmo patamar da qualidade do produto, com 92 por cento. Em uma categoria de baixo envolvimento e compra repetida, confiança e preço competem diretamente. Uma marca que já tem 93 por cento de confiança entre quem a conhece pode cobrar mais, desde que a página confirme a expectativa que a comunicação criou.
Para o fornecedor que vende em marketplace, a conclusão é operacional. Preferência não se transfere automaticamente para a página: ela precisa ser traduzida em prova. Isso significa manter o cadastro do produto com o formato e o peso corretos, responder às avaliações com tema recorrente e monitorar a nota por lote, porque um problema de embalagem aparece na avaliação antes de aparecer no sell out. A marca líder de uma categoria é a que tem mais a perder quando a página não corresponde ao que o consumidor espera encontrar.
Perguntas Frequentes
Uma pesquisa de preferência prova que a marca é a mais bem avaliada?
Não. Preferência declarada e avaliação registrada medem coisas diferentes. A pesquisa pergunta o que a pessoa escolheria; a avaliação mostra o que ela escreveu depois de comprar. A primeira é uma intenção, a segunda é uma experiência, e as duas podem divergir sem que nenhuma esteja errada.
Como usar a avaliação do consumidor para conferir um número de participação?
Comparando o volume de avaliações com o volume de vendas do mesmo período. Se a marca tem 63 por cento de participação em valor e uma fatia muito menor das avaliações registradas no marketplace, a base que compra não é a mesma que escreve, e a leitura da nota precisa ser ajustada.
Por que a confiança aparece ao lado do sabor nos atributos?
Porque o consumidor decide com menos informação no ambiente digital. O sabor exige experimentar; a confiança permite comprar sem experimentar. Em uma página de produto, a confiança sustenta a primeira compra e o sabor sustenta a recompra.










