Até 5 de novembro de 2026, o levantamento mais recente da NielsenIQ sobre o varejo alimentar brasileiro mostra que 84,3% das lojas comparáveis de atacarejo melhoraram a taxa de vendas entre as semanas 41 e 43, janela imediatamente posterior às restrições às apostas online. O painel reúne 16.353 estabelecimentos e aponta três semanas consecutivas de crescimento em faturamento e em unidades vendidas. O próprio estudo, no entanto, evita afirmar relação causal entre a medida e o desempenho do canal.
Uma virada de 3,5 pontos negativos para 5,6 positivos
O painel de mesmas lojas permite comparar o mesmo conjunto de estabelecimentos ao longo do tempo, o que reduz o efeito de aberturas e fechamentos e isola melhor a variação real de demanda. No atacarejo, o faturamento passou de queda de 3,5% nas semanas 39 e 40 para alta de 5,4% nas semanas 41 e 42 e de 5,6% no acumulado das semanas 41 a 43, sempre contra os mesmos períodos de 2025. (fonte: Mercado&Consumo)
Nos demais canais avaliados, as taxas foram de -1,5%, 2,8% e 2,4% nas mesmas janelas, o que mostra que houve melhora generalizada, mas em intensidade bem menor. A evolução do atacarejo em relação ao próprio patamar anterior chegou a cerca de nove pontos percentuais, contra 3,9 pontos nos outros formatos, diferença que explica por que o canal virou o centro da discussão sobre consumo e apostas.
Faturamento, unidades e a semana 43
| Indicador | Semanas 39 e 40 | Semanas 41 e 42 | Semanas 41 a 43 |
|---|---|---|---|
| Faturamento do atacarejo | -3,5% | +5,4% | +5,6% |
| Faturamento dos demais canais | -1,5% | +2,8% | +2,4% |
| Lojas de atacarejo com melhora na taxa de vendas | - | - | 84,3% |
| Lojas com faturamento positivo (atacarejo) | - | - | 71,4% |
| Lojas com faturamento positivo (demais canais) | - | - | 60,7% |
Na semana 43, encerrada em 25 de outubro, o atacarejo registrou alta de 7,8% no faturamento e de 2,4% nas unidades vendidas, a terceira semana consecutiva de resultado positivo nos dois indicadores depois de duas semanas de retração em volume. O crescimento em unidades perdeu intensidade ao longo do período, passando de 5,5% na semana 41 para 3,0% na semana 42 e 2,4% na semana 43, o que indica que parte do avanço vem de preço e de composição, não apenas de mais itens no carrinho.
O restante do autosserviço alimentar cresceu 4,8% em faturamento na semana 43, com unidades praticamente estáveis e variação de -0,1%, enquanto o canal farma avançou 7,2% em valor e 3,5% em unidades. A comparação entre os três blocos mostra que o atacarejo foi o único a combinar alta de valor com alta relevante de volume, combinação que sustenta a leitura de recuperação de fluxo e não apenas de reajuste de preço.
Cesta fixa, mix e o limite da leitura
O que a cesta fixa mede
Entre as semanas 36 e 43, o preço de uma cesta fixa de produtos comuns aos períodos subiu 0,31% no conjunto de autosserviço alimentar e atacarejo, com alta de 0,65% apenas no atacarejo. O indicador de mix dentro das categorias ficou em 2,96% no total e em 2,61% no canal, sinalizando maior peso de itens de preço unitário mais alto, como marcas, versões e embalagens que exigem maior desembolso por unidade.
Refrigerantes e cervejas puxam o mix
A mudança de composição aparece com mais clareza em refrigerantes e cervejas, categorias em que o consumidor aceita subir de versão quando o orçamento melhora. O café não acompanhou o mesmo movimento, e esse contraste serve de contraponto à narrativa de recuperação uniforme: se a alta fosse homogênea, a cesta toda deveria responder, e não apenas as categorias com maior espaço para troca de versão e para promoção.
A NIQ também compara o resultado com o próprio histórico do painel. A melhora da taxa de vendas do conjunto superou a observada em 93% dos 103 períodos analisados, e o avanço adicional do atacarejo frente aos demais canais foi maior do que em 94% das janelas históricas. São posições relativas no histórico, não probabilidades de que a proibição tenha causado a melhora, e o relatório deixa essa distinção explícita.
Para a operação de loja, a consequência prática é medir sortimento, distribuição e exposição por bandeira, porque a parcela de lojas com melhora variou de 93,3% a 100% entre as dez redes apresentadas, com ganhos entre 8,2 e 22,2 pontos percentuais. A média do canal esconde essa dispersão, e uma decisão de reposição tomada sobre a média tende a errar justamente nas redes com ruptura acima do padrão.
Perguntas Frequentes
O estudo da NIQ prova que a proibição das bets aumentou as vendas do atacarejo?
Não. O levantamento registra melhora no período posterior à medida, mas declara explicitamente que não estabelece relação causal entre os dois fatos.
Quantas lojas entraram na análise?
O painel de mesmas lojas reúne 16.353 estabelecimentos dos canais avaliados, incluindo atacarejo, autosserviço alimentar e farma.
O que mudou na composição das compras?
A cesta fixa subiu 0,31% no conjunto e o indicador de mix ficou em 2,96%, com avanço mais visível em refrigerantes e cervejas e sem o mesmo efeito no café.
Como interpretar a comparação histórica de 93% e 94%?
São posições do resultado dentro de 103 janelas históricas comparáveis, e não probabilidades de causalidade, como o próprio relatório esclarece.










