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Supermercado sente o importado e a ruptura cresce
2026-11-05博晓通

Supermercado sente o importado e a ruptura cresce

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Até 5 de novembro de 2026, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de outubro mostrava 78,2 por cento dos varejistas avaliando que a economia piorou, o maior patamar desde maio de 2021, com intenção de contratação 2,8 por cento menor e subíndice de investimento em 98,9 pontos. No mesmo período, a Receita Federal registrou 25,7 milhões de encomendas internacionais declaradas em setembro, contra 14,4 milhões um ano antes, alta de 78,7 por cento em volume. As duas informações, lidas juntas, descrevem o problema da loja física: o consumidor não parou de comprar, ele passou a comparar a gôndola com um pacote que chega de fora.

Confiança no menor nível e a encomenda que chega de fora

Fatos conhecidosNão confirmadoPrecisa verificar
Icec de outubro recua ao menor nível desde 2021, com 78,2 por cento de avaliações negativas sobre a economiaO peso do item importado na cesta pesquisadaAbertura por segmento e por região
Semiduráveis caem 5,4 por cento no mês e 3,3 por cento em doze mesesQuanto da queda é migração para o onlineVendas por canal e por categoria
Encomendas internacionais sobem para 25,7 milhões em setembroA parcela que sai de plataformas e a que vem de lojas estrangeirasDados de importação por remetente
Isenção de 20 por cento até 50 dólares foi retirada e sancionada em setembroO efeito real sobre o preço final ao consumidorPreço praticado antes e depois da mudança

A leitura apressada é que o varejo perdeu poder de compra. A leitura útil é que o varejo perdeu comparabilidade: o mesmo consumidor que reduziu a frequência na loja encontrou um canal em que o preço do vestuário e do acessório aparece sem imposto de importação até 50 dólares, faixa que respondia por boa parte do tíquete baixo. Quando a isenção caiu, em setembro, o diferencial encolheu, mas não desapareceu, e o efeito sobre a decisão de compra não é imediato.

O que a ruptura tem a ver com isso

Ruptura, no jargão do varejo, é o produto que deveria estar na gôndola e não está. Em um trimestre de confiança baixa, a ruptura custa duas vezes: perde a venda do dia e ensina o consumidor a não voltar. Se o item que falta é justamente aquele que o cliente comparou com uma encomenda internacional, a loja não perde apenas o preço, perde a referência. Por isso a revisão de sortimento precisa começar pelo que já chega de fora, e não pelo que o comprador gostaria de vender.

IndicadorValor divulgadoO que muda na loja
Confiança do empresário (Icec)Menor nível desde 2021Menos contratação e menos investimento em reforma
SemiduráveisQueda de 5,4 por cento no mêsCategoria que sustenta o quarto trimestre perde espaço
Encomendas internacionais25,7 milhões em setembroConcorrência direta em tíquete baixo
Isenção até 50 dólaresRetirada e sancionada em setembroDiferencial de preço encolhe, mas não zera

Sortimento sem duplicar o que já vem de fora

A resposta mais comum do varejo é ampliar sortimento para parecer mais completo. Em um cenário de importação direta crescente, isso costuma piorar o resultado: mais itens iguais aos do catálogo internacional aumentam o capital parado e a ruptura, sem criar motivo para o cliente sair de casa. O caminho oposto é mais eficaz — concentrar a gôndola no que não viaja bem, como perecíveis, tamanhos difíceis, itens de reposição imediata e marcas com garantia local, e reduzir a profundidade nas categorias em que o preço do importado é imbatível.

Calendário: 27 e 30 de novembro

A Black Friday cai em 27 de novembro e a Cyber Monday em 30 de novembro. Para a loja física, o risco não é o volume, é a margem: quem entra na promoção sem revisar sortimento acaba financiando desconto em cima de produto que já perdeu a comparação de preço. Antes de definir o desconto, vale checar quais itens da gôndola têm equivalente direto em plataforma estrangeira e quais não têm; o desconto faz sentido no segundo grupo, onde a decisão é entre comprar agora e não comprar.

Há também um efeito de calendário que costuma ser subestimado. A pesquisa CNDL mostra 81,2 milhões de brasileiros, 61 por cento dos consumidores digitais, que compraram ao menos um produto importado nos últimos doze meses; mas 61 por cento afirmam que comprariam de vendedores brasileiros primeiro se preço e variedade fossem equivalentes. Essa frase é o resumo da tarefa: o consumidor não tem preferência ideológica pelo importado, ele tem preferência por preço e variedade. Onde a loja empata nesses dois pontos, ela ganha na entrega e na devolução.

Quatro passos para revisar a gôndola

  1. Liste os itens da gôndola com equivalente direto em plataforma estrangeira e marque cada um como comparável ou não comparável.
  2. Meça a ruptura semanal por categoria, separando o que falta por falha de reposição do que falta por corte de sortimento.
  3. Realoque espaço das categorias comparáveis para as não comparáveis, começando pelas que sustentam o quarto trimestre.
  4. Defina o desconto da Black Friday depois dessa revisão, e não antes, para não subsidiar item que já perdeu a comparação.
CampoExemplo
CategoriaSemiduráveis
ComparávelSim
Ruptura semanalA medir
Espaço na gôndolaA medir

O quarto passo é o que costuma ser invertido. A promoção é decidida primeiro, com base no que o fornecedor oferece, e a revisão de sortimento vem depois, quando o resultado já apareceu. Fazer a revisão antes muda a conversa com o fornecedor: em vez de negociar desconto para a linha inteira, a loja negocia espaço para os itens em que o desconto realmente muda a decisão do cliente.

  • Confiança no piso78,2 por cento avaliam a economia como pior, o maior patamar desde maio de 2021.
  • Encomenda cresce25,7 milhões de encomendas internacionais em setembro, alta de 78,7 por cento em volume.
  • Preferência é por preço61 por cento comprariam de vendedores locais se preço e variedade fossem equivalentes.

Para quem opera loja, o dado de confiança serve como alerta, não como sentença. O trimestre é o mais importante do ano e a decisão que mais muda o resultado não é o desconto, é o sortimento: manter na gôndola o que o cliente consegue comparar com um pacote internacional significa financiar a comparação. Retirar esse item, ou reposicioná-lo, devolve à loja a única vantagem que o importado não copia, que é estar a poucos minutos de distância.

Perguntas Frequentes

  • O que o Icec de outubro mostrou?

    Confiança no menor nível desde 2021, com 78,2 por cento dos empresários avaliando que a economia piorou e intenção de contratação 2,8 por cento menor.

  • Por que as encomendas internacionais importam para a loja?

    Porque cresceram para 25,7 milhões em setembro, alta de 78,7 por cento em volume, e disputam o mesmo tíquete baixo do vestuário e dos acessórios.

  • A isenção até 50 dólares acabou?

    A cobrança de 20 por cento foi retirada por medida provisória em maio e sancionada em lei em 10 de setembro, o que reduz o diferencial de preço sem eliminá-lo.

  • O que revisar antes da Black Friday?

    O sortimento: separar itens comparáveis dos não comparáveis, medir ruptura por categoria e só depois definir o desconto.

Fontes