Até 29 de outubro de 2026, duas redes brasileiras inauguraram lojas em pontos quase opostos do mapa e com lógicas de área comercial que dificilmente se repetem. O Peruzzo abriu no Balneário Cassino, no Rio Grande do Sul, com 2.100 metros quadrados de área de vendas e 200 empregos gerados. O Grupo Vanguarda estreou a bandeira Vantagem Supermercado em Teresina, com cerca de 6 mil SKUs e preços 30 por cento abaixo do mercado local.
Duas apostas opostas no mesmo mês
O Peruzzo escolheu um destino sazonal e apostou em amplitude. A loja do Cassino tem cerca de 7 mil metros quadrados de área construída, adega com mais de 600 rótulos, padaria com produção própria e açougue com atendimento. Com a inauguração, o grupo chega a 29 lojas, sendo 25 Peruzzo e quatro Ecomix Atacarejo, além de três centros de distribuição em 13 cidades gaúchas.
O Vantagem escolheu o oposto. A primeira unidade, aberta em Teresina na segunda quinzena de outubro, trabalha com sortimento enxuto, cerca de 480 vagas de estacionamento e uma proposta declarada de supermercado econômico, com serviços tradicionais como açougue, padaria e hortifrúti. Para 2027 estão previstas quatro inaugurações: mais uma em Teresina, uma em Piripiri, no Piauí, e duas no Maranhão, em Codó e Bacabal.
O que cada loja revela sobre a área comercial
O Cassino testa uma área comercial que muda de tamanho ao longo do ano. O balneário recebe grande fluxo de veranistas entre dezembro e março e mantém população estável fora da temporada. A loja foi planejada para atender os dois regimes, e o sucesso depende de a operação ajustar escala de equipe e reposição sem perder nível de serviço na baixa temporada.
Teresina testa o inverso: área comercial densa, concorrência próxima e consumidor sensível a preço. A proposta de preços 30 por cento abaixo do mercado local só se sustenta com sortimento controlado e negociação de compras. É uma aposta em giro, não em amplitude, e por isso o número de SKUs é o indicador mais importante a acompanhar.
| Dimensão | Peruzzo no Cassino | Vantagem em Teresina |
|---|---|---|
| Área de vendas | 2.100 metros quadrados | Não divulgada |
| Sortimento | Cerca de 12 mil itens | Cerca de 6 mil SKUs |
| Checkouts | 25, sendo 8 de autoatendimento | Não divulgado |
| Estacionamento | 129 vagas | Cerca de 480 vagas |
| Empregos | 200 | Não divulgado |
| Lógica de preço | Serviço e amplitude | 30 por cento abaixo do mercado local |
Litoral sazonal contra interior disperso
A diferença de formato aparece também no papel do centro de distribuição. O grupo gaúcho opera três CDs para 29 lojas, o que permite reposição frequente em uma unidade distante dos grandes centros. Já a rede piauiense trabalha com mais de 300 fornecedores e uma bandeira nova que precisa provar demanda antes de ganhar escala logística própria.
Consumo em alta moderada sustenta a expansão
O pano de fundo favorece a expansão, mas sem euforia. Segundo a ABRAS, o consumo nos lares subiu 0,59 por cento em setembro na comparação anual e acumula 2,70 por cento de janeiro a setembro, com recuo de 1,46 por cento frente a agosto. É crescimento real, deflacionado pelo IPCA, porém concentrado em categorias de ticket menor.
Os indicadores de renda explicam a resiliência. A taxa de desocupação ficou em 5,3 por cento no trimestre encerrado em agosto, a população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas e o rendimento médio real habitual alcançou 3.777 reais, com alta de 3,7 por cento em doze meses. A massa de rendimento somou 385,6 bilhões de reais, recorde da série.
SKU enxuto como teste de sortimento
Operar com 6 mil SKUs em vez de 12 mil não é apenas redução de custo, é um teste de hipótese sobre a área comercial. Se a loja sustenta venda por metro quadrado com sortimento curto, o modelo escala rápido. Se a ruptura aparece nas categorias de destino, o formato precisa de mais amplitude antes de replicar em Codó e Bacabal.
Como testar a área comercial antes do contrato
Nenhuma das duas redes divulgou venda por metro quadrado, e é exatamente esse o número que decide a segunda unidade. Antes de assinar um novo ponto, vale montar uma leitura de área comercial com três camadas: fluxo de passantes por faixa horária, renda e composição familiar do entorno e presença de concorrentes diretos em um raio de caminhada curto.
A segunda camada é o comportamento de compra. Frequência semanal, ticket médio e participação de perecíveis mostram se o ponto atrai compra de abastecimento ou de conveniência. A terceira é operacional: capacidade de receber carga, horário de restrição e custo de ocupação por metro quadrado, que costumam inviabilizar pontos com boa demanda aparente.
Perguntas Frequentes
Qual das duas lojas é o melhor modelo para replicar?
Depende da área comercial. O formato amplo funciona onde a demanda é sazonal e a concorrência é distante; o sortimento curto funciona onde o consumidor compara preço e a densidade permite giro alto.
Por que o Peruzzo investiu em adega e padaria própria?
Porque a loja atende veranistas e moradores, e serviços de produção própria aumentam o ticket e a frequência em uma praça onde a compra de abastecimento convive com a de conveniência.
O que a ABRAS mostra sobre a disposição de consumo?
Consumo nos lares em alta de 2,70 por cento no acumulado do ano, com renda real em elevação. O crescimento existe, mas está concentrado em categorias de ticket menor.
Qual indicador deve ser acompanhado primeiro?
Venda por metro quadrado, comparada com a média da rede. Sem esse número, a decisão de abrir a segunda praça fica baseada em expectativa e não em desempenho.










