A Leroy Merlin instalou na loja do Morumbi, em São Paulo, um painel de LED de 6,72 metros de largura por 2,56 metros de altura, desenvolvido com a The Led, que substitui as lonas tradicionais por comunicação digital e permite atualizar campanhas em tempo real Mercado e Consumo. O projeto é o primeiro do tipo na operação global da companhia e transforma uma parede da loja em mídia programável.
O painel de 6,72 metros no Morumbi
A dimensão importa porque define o tipo de conteúdo que funciona. Um painel dessa escala é visto a distância, no fluxo de entrada, e não no corredor: o formato favorece mensagens curtas, imagens de produto em tamanho grande e chamadas para ação simples. Conteúdo pensado para leitura próxima, com muito texto, se perde.
A substituição da lona por tela também muda a economia do espaço. Lona exige impressão, transporte, instalação e descarte a cada campanha, com prazo de produção que costuma inviabilizar ações de última hora. A tela elimina esse ciclo e permite que a mensagem acompanhe o clima, o horário e o fluxo de clientes.
A parceria com a The Led
Desenvolver o projeto com um fornecedor especializado, em vez de comprar hardware de catálogo, indica que a companhia tratou o painel como infraestrutura de mídia e não como equipamento. Infraestrutura exige gestão de conteúdo, monitoramento remoto e plano de manutenção, três itens que costumam ficar de fora do orçamento inicial.
Clima e fluxo como gatilho
A possibilidade de adaptar a mensagem às condições climáticas é o recurso mais interessante do ponto de vista operacional. Em categorias como jardim, churrasco e pintura, a demanda responde diretamente ao tempo. Uma tela que muda a chamada quando a previsão indica chuva ou calor converte o espaço físico em algo próximo de um anúncio dinâmico.
Retail media sai da lona e vira tela
O varejo brasileiro vem tratando retail media como a terceira onda da publicidade digital, e a análise do setor aponta que os números do mercado já justificam investimento dedicado Mercado e Consumo. A diferença entre uma lona e uma tela não é estética: é a possibilidade de vender o espaço por período, medir exposição e trocar a mensagem sem custo marginal de produção.
Para o fornecedor, isso cria uma nova unidade de compra. Em vez de negociar uma ação sazonal com meses de antecedência, a marca pode comprar duas semanas em uma loja específica e ajustar a criatividade no meio do período. A negociação passa a ser sobre dados de audiência, não apenas sobre metros de parede.
O que muda no ritmo da loja
Conteúdo em tempo real cria uma rotina nova para a equipe da loja. Alguém precisa decidir o que entra no ar, com que frequência, e quem aprova. Sem esse processo, a tela exibe a mesma campanha por três meses e perde a vantagem de ser digital. A governança de conteúdo é o gargalo real, não a tecnologia.
Há também um efeito sobre a operação de reposição. Quando a tela destaca um produto, o fluxo até aquela gôndola aumenta, e a reposição precisa acompanhar. Se o destaque não estiver sincronizado com o estoque disponível, a loja cria uma promessa que não consegue cumprir, o que é pior do que não anunciar.
Fornecedor no controle
Entregar ao fornecedor o controle da criatividade exige limites claros. A marca conhece o produto, mas não conhece o fluxo da loja; a loja conhece o fluxo, mas não conhece a campanha. O modelo que funciona é o de aprovação em duas etapas: o fornecedor propõe, a loja valida o horário e a posição, e a troca acontece dentro de uma janela definida.
O custo de operar conteúdo em tempo real
O custo não está na tela, está na operação. Produzir variações de criatividade para diferentes condições, manter a biblioteca atualizada e garantir que nada fora do ar apareça por erro são atividades contínuas. Companhias que subestimam esse custo acabam com um painel caro exibindo conteúdo estático.O detalhe operacional e onde o argumento se sustenta ou cai ao longo de um trimestre inteiro.
A conta fecha quando o espaço é vendido. Um painel que gera receita de mídia precisa ser tratado como ativo comercial, com tabela de preços, metas de ocupação e relatório de entrega. Sem essas três peças, o investimento é classificado como despesa de marketing e perde prioridade no orçamento do ano seguinte.
Como medir retorno na gôndola
A medição começa pela exposição: quantas pessoas passaram em frente, em que horários, por quanto tempo. Sensores e câmeras resolvem a primeira camada, mas exigem cuidado com privacidade e com a comunicação ao cliente. A segunda camada é a resposta: variação de venda do item destacado no período em que esteve no ar.
A terceira camada é a mais difícil e a mais valiosa: o efeito sobre categorias vizinhas. Uma tela que aumenta a venda de tinta pode reduzir a de acessórios se o destaque desviar a atenção. Medir apenas o item anunciado produz uma leitura otimista que não se sustenta no resultado total da loja.
Metricas possiveis
Quatro métricas são suficientes para começar: custo por mil exibições no ponto de venda, variação de venda do item destacado, tempo médio de permanência na área e receita de mídia por metro quadrado ocupado. As quatro juntas dão uma visão equilibrada entre audiência, efeito comercial e retorno direto do espaço.
O que observar nos próximos meses
O primeiro sinal a acompanhar é a ocupação do painel: se o espaço for vendido de forma recorrente, o modelo funciona como mídia. O segundo é a frequência de troca de conteúdo, que indica se a operação absorveu a rotina. O terceiro é a replicação em outras lojas, que mostra se o projeto é um piloto ou um padrão.
Para o setor, o caso importa porque desloca a discussão de retail media do ambiente digital para o ponto de venda físico. Se a tela na loja se provar vendável e mensurável, o espaço físico deixa de ser custo de decoração e passa a ser linha de receita, o que muda a lógica de expansão de muitas redes.
Um alerta
O risco é a proliferação desordenada. Se cada fornecedor instalar sua própria tela, a loja vira um mosaico de mensagens concorrentes e a atenção do cliente se dispersa. A gestão centralizada do inventário de telas, com regras de exclusividade por categoria, é o que separa receita adicional de poluição visual.O detalhe operacional e onde o argumento se sustenta ou cai ao longo de um trimestre inteiro.










