Até 1 de novembro de 2026, a GBarbosa, rede com 71 anos de atuação em Sergipe e parte do grupo Cencosud, reinaugurou em 29 de outubro a loja RioMar, no shopping do bairro Coroa do Meio, em Aracaju. A unidade passa a operar no conceito store in store, com Empório Perini, Adega Perini de 1.200 rótulos e uma farmácia nova. Para uma marca que disputa espaço em loja, o caso interessa menos pelo evento e mais pelo que ele revela sobre como uma área comercial é reorganizada quando o sortimento passa a ser vendido por ocasião.
O que mudou dentro da loja RioMar
A rede descreve o movimento como parte de uma série de reformas feitas nas lojas do Nordeste desde 2025. O ponto operacional é que a reforma não amplia a loja: ela troca área. Cada metro dedicado ao empório, à adega ou à farmácia sai de alguma outra categoria, e essa realocação é a decisão mais importante do projeto, porque define qual sortimento perde prateleira para o novo formato.
O Empório Perini traz padaria, saladas, pizzas de fermentação natural, sanduíches, sopas, cafés e doces, com itens de marca própria como a coxinha especial e o pão delícia. A Adega reúne vinhos e espumantes de onze países, com destaque para Chile, Portugal e Argentina, e mantém um consultor especializado para orientar a escolha. São duas categorias de margem alta que dependem de atendimento, não de desconto.
Store in store muda a régua da área comercial
Quando um espaço dentro da loja passa a ter marca, identidade visual e vendedor próprio, a régua de avaliação deixa de ser a venda média da gôndola e passa a ser a venda por metro quadrado daquele espaço. Isso obriga a rede a comparar categorias com lógicas diferentes: a adega compete por área com o açougue, e a farmácia compete com a floricultura. Uma loja de alto potencial é justamente aquela em que essa comparação já foi feita com dados, e não com intuição de sortimento.
Por que a farmácia entrou na conta
A Cencosud informa que avança na integração de farmácias às suas lojas, começando pelo GBarbosa RioMar, com o objetivo de ampliar conveniência e serviços. A farmácia é o tipo de categoria que traz uma visita adicional por mês e ancora a percepção de loja completa, mas exige operação regulada, profissional habilitado e controle de validade, o que a torna cara de manter e difícil de replicar em escala sem estrutura.
Para o fornecedor, a consequência é direta: a área comercial da loja ganhou uma âncora de serviço que puxa tráfego recorrente. Categorias de compra por impulso, como doces, bebidas geladas e flores, tendem a se beneficiar do fluxo criado pela farmácia e pelo empório, desde que estejam posicionadas no caminho entre a entrada e esses espaços, e não no fundo da loja.
| Dimensão | O que a loja mostra | O que medir |
|---|---|---|
| Área | Espaços cedidos por categorias existentes | Venda por metro quadrado por seção |
| Sortimento | Empório com mais de 300 itens próprios | Participação de marca própria na cesta |
| Serviço | Consultor de vinhos e farmácia integrada | Visitas por mês e ticket por visita |
| Fluxo | Novos espaços no caminho da entrada | Conversão por seção e tempo de permanência |
O consultor como parte do sortimento
A adega com 1.200 rótulos só funciona com alguém capaz de traduzir rótulo em ocasião. Sem consultor, uma parede de vinhos vira exposição; com consultor, vira venda de maior valor agregado e cria motivo para o cliente voltar. Esse é o mesmo raciocínio que sustenta a disponibilidade em loja: o produto existir na prateleira é condição necessária, mas o que converte é a combinação entre produto, informação e atendimento no ponto de venda.
Como avaliar uma loja assim antes de investir
O primeiro passo é medir a venda por metro quadrado de cada seção depois da reforma, e não apenas o total da loja, porque o total esconde a canibalização. O segundo é comparar a cesta média de quem entra pela farmácia com a de quem entra pela frente de loja. O terceiro é acompanhar a ruptura dos itens que ganharam espaço: uma categoria nova em área comercial tende a enfrentar desabastecimento nas primeiras semanas, justamente quando a curiosidade do cliente é maior.
O quarto passo é olhar o ciclo de reposição. Empório e adega trabalham com giro menor e sortimento mais profundo que a mercearia, o que exige frequência de entrega diferente e um controle de validade mais rígido. A reforma que amplia a área sem ajustar a reposição apenas transfere o problema de lugar: a prateleira fica mais bonita e o estoque continua errado.
Perguntas Frequentes
O que o conceito store in store muda para o fornecedor?
Muda a régua de avaliação. O espaço passa a ser medido pela venda por metro quadrado e pela visita que gera, e não pela média da gôndola. Quem ocupa área precisa provar que justifica o metro que tirou de outra categoria.
Por que a farmácia foi a primeira a entrar?
Porque cria visita recorrente e sustenta a percepção de loja completa. Em troca, exige operação regulada, profissional habilitado e controle de validade, o que encarece a manutenção do espaço.
Como saber se a reforma funcionou?
Comparando a venda por metro quadrado de cada seção, a cesta média por porta de entrada e a ruptura dos itens que ganharam área. O total da loja sozinho esconde a canibalização entre categorias.
Qual é o risco de ampliar sortimento sem mudar a reposição?
A prateleira melhora e o estoque continua errado. Categorias de giro menor exigem frequência de entrega diferente e controle de validade mais rígido, ou a área nova vira custo sem venda.









