Até 30 de outubro de 2026, um novo estudo do World Data Lab e da EBANX aponta que o e-commerce nos mercados emergentes, historicamente dominado pelos mais jovens, passa por uma transição demográfica que deve transformá-lo nos próximos dez anos. O ritmo mais acelerado está na faixa de 65 anos ou mais, cujo gasto online deve crescer 12,2 por cento ao ano, a maior taxa entre os grupos analisados. A consequência prática é que a página de produto, hoje desenhada para um comprador jovem e rápido, precisa ser reescrita para outro perfil.
Quatro trilhões e quatrocentos bilhões em jogo
Segundo o estudo, pessoas com 45 anos ou mais adicionarão 4,4 trilhões de dólares em gastos online nos mercados emergentes nos próximos dez anos, o equivalente a metade do crescimento total. Parte desse contingente já compra pelo celular e continuará comprando conforme envelhece; outra parte fará a primeira compra online dentro desse período.
O estudo também projeta quem serão os novos consumidores online: 223 milhões de adultos entre 45 e 64 anos e 170 milhões com 65 anos ou mais até 2036. Os mais jovens seguem relevantes, com 221 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos fazendo a primeira compra no mesmo horizonte, mas o centro de gravidade do gasto se desloca para cima na pirâmide etária.
A classe média cresce junto
Parte da explicação para o crescimento em cada faixa está na expansão da classe média nos mercados emergentes, que deve ganhar 930 milhões de adultos até 2036 e chegar a um total de 3,8 bilhões de pessoas. Renda disponível e acesso a crédito explicam mais do que idade, e é por isso que a transição demográfica vem acompanhada de mudança de sortimento. A demanda do consumidor por conveniência cresce nas duas pontas, mas se manifesta de formas diferentes em cada faixa.
Para o varejo, isso significa que o catálogo precisa acomodar dois comportamentos ao mesmo tempo. Um comprador de 65 anos valoriza descrição clara, letra legível, política de troca explícita e atendimento humano acessível; um comprador de 25 anos valoriza velocidade, vídeo e prova social. Uma página de produto que tenta agradar os dois sem hierarquia de informação não converte bem para nenhum deles.
Onde a página de produto erra primeiro
O erro mais comum é esconder a informação operacional: prazo de entrega, custo do frete, política de devolução e forma de pagamento aparecem no fim da página ou só no checkout. Para quem cresceu comprando em loja física, a ausência dessas informações não é detalhe, é motivo para abandonar a compra e voltar ao canal que já conhece.
Acelerar a decisão de compra é a outra frente
A antecipação da pesquisa muda o calendário do varejo. Levantamento da LWSA com a Opinion Box mostra que metade dos consumidores brasileiros começa a procurar ofertas mais de um mês antes da Black Friday, marcada para 27 de novembro, e que marketplaces são o ponto de partida para 56 por cento dos entrevistados, seguidos por sites de marcas e lojas, com 42 por cento, e aplicativos próprios, com 33 por cento.
Para a faixa etária mais velha, essa antecipação tem um efeito específico: a decisão é mais lenta e mais comparada. Quem chega cedo à pesquisa testa o site, mede o prazo de entrega e confere a política de troca antes de comprar. Um checkout que exige cadastro longo ou esconde o frete elimina esse comprador antes da etapa de pagamento, e o custo de aquisição pago para trazê-lo se perde ali.
O que medir por faixa etária
Três métricas separam diagnóstico de achismo: taxa de conclusão de checkout por faixa etária, tempo médio até a primeira compra depois do cadastro e participação da faixa 45 mais na receita por categoria. Sem esse corte, o varejista otimiza a média e continua perdendo justamente o grupo que mais cresce.
| Projeção até 2036 | Número | Efeito no varejo |
|---|---|---|
| Gasto online da faixa 65 mais | Alta de 12,2 por cento ao ano | Maior taxa entre os grupos |
| Novos consumidores de 45 a 64 anos | 223 milhões | Página de produto mais clara |
| Novos consumidores de 65 mais | 170 milhões | Atendimento humano acessível |
| Novos consumidores de 15 a 29 anos | 221 milhões | Velocidade e prova social |
Perguntas Frequentes
Qual faixa etária cresce mais no e-commerce emergente?
A faixa de 65 anos ou mais, com alta projetada de 12,2 por cento ao ano no gasto online, a maior taxa entre os grupos analisados pelo estudo do World Data Lab e da EBANX.
Quanto a faixa 45 mais deve adicionar em gasto online?
4,4 trilhões de dólares nos mercados emergentes nos próximos dez anos, o equivalente a metade do crescimento projetado.
Os consumidores mais jovens perdem importância?
Não. Projeta-se 221 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos fazendo a primeira compra online, mas o centro de gravidade do gasto se desloca para as faixas mais velhas.
O que muda na página de produto?
A informação operacional, como prazo de entrega, frete, troca e pagamento, precisa aparecer no topo, porque o comprador mais velho compara mais e abandona quando esses dados estão escondidos.









