Até 5 de novembro de 2026, o Radar do E-commerce D2C da Nuvemshop indica que lojas que oferecem frete grátis concentraram 89,4% do faturamento do modelo direto ao consumidor no Brasil. O benefício aparece em 31,05% dos pedidos, alta de 2,33 pontos percentuais sobre setembro de 2025. Na média, lojistas que não cobram pela entrega faturam 5,65 vezes mais do que os que cobram, diferença que reposiciona o frete de despesa acessória para variável central de sortimento e de conversão.
O número que reorganiza a conta do frete
A leitura correta do indicador exige cuidado com a direção da causalidade. Lojas maiores tendem a negociar melhor a malha logística e, por isso, conseguem oferecer frete grátis com mais frequência, o que produz a correlação de 5,65 vezes sem que o benefício, isolado, gere o faturamento. O dado mostra escala e poder de barganha, não um atalho simples para aumentar vendas. (fonte: Mercado&Consumo)
Entre os negócios com faturamento mensal acima de R$ 100 mil, a adesão chega a 94%, patamar que indica saturação do benefício como diferencial competitivo. Quando quase a totalidade dos concorrentes relevantes já oferece entrega gratuita, o atributo deixa de separar marcas e passa a funcionar como exigência de entrada, deslocando a disputa para prazo, previsibilidade e custo total do pedido.
Pedidos, ticket médio e a virada regional
| Indicador | Valor | Leitura |
|---|---|---|
| Pedidos com frete grátis | 31,05% | alta de 2,33 pontos sobre setembro de 2025 |
| Faturamento D2C em lojas com frete grátis | 89,4% | concentração de receita no benefício |
| Faturamento médio com frete grátis contra sem frete grátis | 5,65 vezes | diferença de escala entre operações |
| Adesão entre lojas com faturamento acima de R$ 100 mil | 94% | benefício perto da saturação |
| Ticket médio nacional | R$ 282,12 | referência para calibrar a régua |
| Ticket médio em Santa Catarina | R$ 266,13 | abaixo da média nacional |
| Pedidos em Santa Catarina em setembro | 270.618 | alta de 78,3% na comparação anual |
| Participação do Sul nos pedidos D2C | 15,30% para 17,53% | ganho de 2,23 pontos percentuais |
O crescimento fora dos grandes centros aparece com força em Santa Catarina, que registrou 270.618 pedidos em setembro, alta de 78,3% na comparação anual, e elevou a participação da região Sul nos pedidos D2C do país de 15,30% para 17,53%. O movimento, porém, não veio acompanhado de ticket maior: o valor médio catarinense ficou em R$ 266,13, abaixo da média nacional de R$ 282,12, o que sugere expansão por volume e por entrada de novos compradores, não por aumento de valor por pedido.
Quando o frete grátis deixa de ser diferencial
Prazo vira o campo de batalha
Com o frete grátis perdendo poder de diferenciação, o prazo de entrega assume o papel de variável competitiva. Plataformas têm investido em logística própria e em modalidades aceleradas para reduzir a dependência de operadores tradicionais, e iniciativas como entregas em poucas horas para vendedores elegíveis mostram que a disputa migrou do preço do envio para a previsibilidade da data prometida. (fonte: modo Turbo da Shopee)
O custo escondido no carrinho
O frete responde por mais de 70% das desistências de carrinho quando o cálculo é feito sem inteligência de dados, segundo levantamento do setor. A frase do presidente e cofundador da Nuvemshop, Alejandro Vázquez, resume o deslocamento: a logística integrada deixou de ser diferencial e virou espinha dorsal do varejo moderno, o que significa que a régua de frete precisa ser desenhada junto com a política de preço do produto, e não depois dela. (fonte: desistência de carrinho)
O avanço do omnichannel reforça esse desenho: em setembro, o crescimento das operações que integram loja física e comércio eletrônico chegou a 31,5%, ritmo acima do observado nas operações puramente digitais. A integração permite usar a loja como ponto de coleta, encurtar a última milha e transformar estoque parado em disponibilidade imediata, três alavancas que atacam exatamente o custo que o frete grátis impõe à margem.
Para quem precisa decidir a régua de entrega na próxima temporada, o caminho é medir antes de copiar o benefício do concorrente. A demanda do consumidor por prazo curto cresce mais rápido do que a disposição de pagar por ele, e a tendência do setor aponta para regras segmentadas por região, por categoria e por valor de pedido, em vez de frete grátis irrestrito para toda a base.
Perguntas Frequentes
Como o frete grátis muda a escolha do produto na loja online?
O benefício entra na comparação entre itens de preço parecido e favorece o produto cujo custo de envio é menor. Não há relação de causa direta com faturamento: lojas com o benefício faturam 5,65 vezes mais porque operações maiores negociam melhor a logística.
Por que o benefício já não diferencia a loja?
Porque a adesão chega a 94% entre negócios com faturamento acima de R$ 100 mil por mês, o que transforma o frete grátis em exigência de entrada e desloca a disputa para prazo e previsibilidade.
O que explica o avanço de Santa Catarina?
O estado registrou 270.618 pedidos em setembro, alta de 78,3% na comparação anual, com ticket médio de R$ 266,13, abaixo da média nacional, o que indica expansão por volume.
Qual é a alternativa ao frete grátis irrestrito?
Réguas segmentadas por região, categoria e valor de pedido, combinadas com retirada em loja e uso do estoque físico como ponto de distribuição.









