Até 1 de novembro de 2026, o consumo das famílias nos lares acumula alta de 2,70% até setembro, segundo a ABRAS, mas a média favorável esconde uma economia de duas velocidades. A projeção do IBEVAR em parceria com a FIA Business School aponta o Varejo Restrito crescendo 2,57% em setembro, enquanto móveis e eletrodomésticos caem 1,70% no mês, 3,64% em outubro e 6,29% em novembro na comparação anual. Para quem decide sortimento e preço item a item, a leitura por categoria passou a valer mais do que a leitura agregada.
Duas velocidades na mesma cesta
O contraste é grande. Livros, jornais, revistas e papelaria sobem 6,99% em setembro, com acumulado de 5,48% em 12 meses; farmácias, produtos médicos e cosméticos acumulam 5,10%; vestuário acelera de 3,05% em setembro para 4,32% em novembro. São categorias de consumo recorrente e ticket menor, justamente as que sustentam a alta do consumo nos lares.
Do outro lado, móveis e eletrodomésticos aprofundam a queda mês a mês, material de construção segue negativo nos três meses (-1,96%, -3,00% e -2,89%) e equipamentos de escritório e informática fazem a reversão mais brusca da série, de +0,74% em setembro para -7,39% em novembro.
Por que a média engana
Crédito e ciclo longo
Móveis, eletrodomésticos e material de construção são compras de maior valor e mais expostas ao financiamento. Quando o crédito aperta, a decisão é adiada antes de ser cancelada, e o efeito aparece no trimestre seguinte; é por isso que a trajetória piora de setembro a novembro em vez de oscilar.
Seletividade do consumidor
O presidente do IBEVAR, Claudio Felisoni, descreve o quadro como um brasileiro que segue gastando, mas de forma seletiva: prioriza consumo recorrente e de menor ticket e reduz a exposição a compras de maior valor. É uma mudança de composição da cesta, não uma parada de consumo, e a resposta de sortimento precisa acompanhar essa composição.
| Categoria | Setembro | Novembro |
|---|---|---|
| Móveis e eletrodomésticos | -1,70% | -6,29% |
| Material de construção | -1,96% | -2,89% |
| Equipamentos de informática | +0,74% | -7,39% |
| Livros e papelaria | +6,99% | em alta |
| Vestuário | +3,05% | +4,32% |
O que fazer com a projeção
O primeiro passo é trocar a meta agregada por meta de categoria, porque a tendência do setor só faz sentido quando lida por segmento. Perseguir o crescimento médio de 2,57% leva a decisões erradas nas duas pontas: espaço demais em uma categoria que cai e espaço de menos em outra que acelera.
O segundo é usar a projeção como calendário e observar a demanda do consumidor por ticket. Se a queda em móveis se aprofunda até novembro, a negociação de verba promocional e de prazo com o fornecedor precisa acontecer antes, não durante a Black Friday; a mesma lógica vale para reforçar sortimento nas categorias que aceleram.
Como auditar a leitura por categoria
A auditoria precisa ser reproduzível, porque a comparação é trimestral e muda de base. Cada etapa deve gerar um documento que outra equipe consiga reabrir depois. Sem essa base, a leitura por categoria vira opinião sobre o mês em que se olhou.
Perguntas Frequentes
O que o estudo do IBEVAR mostra por categoria?
Mostra uma economia de duas velocidades. O Varejo Restrito deve crescer 2,57% em setembro, mas móveis e eletrodomésticos caem 1,70% em setembro, 3,64% em outubro e 6,29% em novembro, enquanto livros e papelaria sobem 6,99% e farmácias acumulam 5,10% em 12 meses.
Por que a média esconde o problema?
Porque a média soma categorias com dinâmicas opostas. Um varejo que cresce 2,57% pode conviver com uma categoria caindo 6,29%, e a decisão de sortimento tomada pela média erra nas duas pontas: sobra espaço em uma e falta na outra.
O que explica a queda em móveis e eletro?
Crédito e ciclo de financiamento. São compras de maior valor e mais sensíveis a juros, e o próprio IBEVAR atribui a queda à seletividade do consumo, que prioriza itens recorrentes e de menor ticket, como farmácia, papelaria e vestuário.
Como usar isso na prática?
Trocando a meta agregada por meta de categoria. Em vez de perseguir crescimento médio, a operação define espaço, preço e promoção por categoria, e usa a projeção trimestral para antecipar a realocação de gôndola.










