Até 28 de outubro de 2026, estudos da Associação Brasileira de Supermercados apontam que a proibição das bets no País, vigente desde a publicação da Medida Provisória 1394/2026, em 25 de setembro, vem contribuindo para o aumento do consumo nos lares brasileiros. Na semana de 5 a 11 de outubro, o varejo alimentar cresceu 6,5% no Brasil na comparação com o mesmo período do ano anterior, com alta concentrada na cesta de essenciais. Para quem acompanha preço e promoção, o dado importa porque muda a base de comparação das próximas semanas.
Os números divulgados
O movimento aparece em canais distintos, abrangendo supermercados, atacarejos, mercearias e demais formatos, com destaque para arroz, óleo, macarrão e café. Na semana de 5 a 11 de outubro, a região Sul e a região que compreende Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro tiveram o maior índice, ambas com 10,6%. Em seguida vieram Nordeste, com 6,5%, e interior de São Paulo, com 5,6%, completando a lista Grande Rio de Janeiro, Centro-Oeste e Grande São Paulo (fonte: SuperHiper).
Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, a alta nacional foi de 6,3%. A região Sul continuou com o maior índice, de 9%, seguida por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, com 7,1%, e Grande Rio de Janeiro, com 6%. Interior de São Paulo e Grande São Paulo cresceram 5,6% e 5,5%, enquanto Nordeste e Centro-Oeste ficaram com 4,5% e 3,5%.
O que isso faz com preço e promoção
Quando o volume cresce de forma generalizada, a primeira tentação do varejo é reduzir a profundidade das promoções, porque o produto sai sem desconto. O problema é que a base de comparação das semanas seguintes passa a ser alta, e uma promoção retirada cedo demais devolve o consumidor ao patamar anterior. A decisão de manter ou cortar desconto precisa considerar o efeito-base, não apenas a venda da semana.
O segundo efeito é na diferença de preço entre formatos. Atacarejo e supermercado reagem em velocidades diferentes a um choque de demanda: o atacarejo ajusta embalagem e volume, o supermercado ajusta gôndola e serviço. Em regiões com crescimento de dois dígitos, como Sul e Minas Gerais com Espírito Santo e interior do Rio, a diferença de preço entre formatos tende a abrir, e a leitura de preço precisa ser feita por formato, não por média nacional.
Efeito-base muda o calendário
Com duas semanas consecutivas acima de 6%, o calendário promocional do trimestre ganha uma referência nova. Promoções planejadas antes da MP passam a competir com um consumidor que já está comprando mais, e o desconto rende menos. Revisar o calendário não significa cancelar ações, mas deslocar profundidade para as categorias em que o crescimento foi menor, como Grande São Paulo, com 1,2% na primeira semana medida.
PIX como indicador antecedente
A queda imediata de 10% nas transações em PIX quando as bets foram proibidas, hoje em 7%, é um indicador antecedente útil. Ele não mede consumo de alimentos, mas mede deslocamento de renda dentro do orçamento familiar. Acompanhar esse número junto com as vendas semanais permite separar efeito de renda de efeito de preço, o que é decisivo para saber se a alta se sustenta.
Desempenho por região nas duas semanas
A tabela abaixo reúne as duas medições divulgadas, colocando lado a lado o crescimento da semana de 5 a 11 de outubro e o da semana de 12 a 18 de outubro. A leitura em conjunto mostra quais regiões mantiveram ritmo e quais desaceleraram, informação que a média nacional esconde.
| Região | 5 a 11 de outubro | 12 a 18 de outubro |
|---|---|---|
| Sul | 10,6% | 9,0% |
| Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio | 10,6% | 7,1% |
| Grande Rio de Janeiro | 4,0% | 6,0% |
| Interior de São Paulo | 5,6% | 5,6% |
| Grande São Paulo | 1,2% | 5,5% |
| Nordeste | 6,5% | 4,5% |
| Centro-Oeste | 3,6% | 3,5% |
| Brasil | 6,5% | 6,3% |
O que conferir antes de mexer na promoção
Revertir desconto com base em duas semanas é arriscado. A sequência abaixo organiza a checagem antes de qualquer mudança de calendário, começando pela separação entre volume e preço. Cada passo gera um campo que pode ser comparado entre regiões e formatos.
Perguntas Frequentes
Qual foi o crescimento do varejo alimentar?
6,5% na semana de 5 a 11 de outubro e 6,3% na semana de 12 a 18 de outubro, sempre na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Quais categorias puxaram a alta?
A cesta de produtos essenciais, com destaque para arroz, óleo, macarrão e café, segundo a ABRAS.
Qual região cresceu mais?
Sul e a região de Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, ambas com 10,6% na primeira semana medida.
O que o PIX tem a ver com isso?
O Banco Central registrou queda imediata de 10% nas transações em PIX quando as bets foram proibidas, número hoje em 7%, o que sugere deslocamento de renda no orçamento das famílias.










