A DHL projeta movimentar 37 milhões de pacotes na temporada de fim de ano no Brasil, volume 19% acima de um mês convencional e 50% superior ao do ano passado, com a fatia de entregas B2C saltando de 15% para 28% do volume mensal durante o período de pico. Até 28 de outubro de 2026, o dado mais relevante para quem define preço no varejo online não é o crescimento de pedidos, e sim a mudança de perfil: quando quase um terço do volume passa a ser entrega direta ao consumidor, o custo logístico deixa de ser linha secundária e entra no preço final.
Quando 28% do volume vira entrega ao consumidor
O vice-presidente de Retail e E-commerce da DHL Supply Chain, Solon Barrios, descreve exatamente esse deslocamento: em períodos normais, 15% do volume mensal é B2C, e o índice salta para 28% na temporada de pico. A consequência para o varejista é aritmética. A entrega ao consumidor final custa mais por pacote do que a reposição de loja, porque envolve última milha, tentativa de entrega e devolução, e essa diferença aparece justamente no mês em que o desconto anunciado é maior.
O custo que a promoção não mostra
Uma promoção de fim de ano é avaliada pelo desconto na vitrine, mas o que decide a margem é a soma entre desconto e custo de entrega. Se a fatia B2C dobra no período e o frete é oferecido como parte da oferta, o desconto efetivo cresce sem aparecer no preço anunciado. Monitorar preço sem monitorar frete, prazo e disponibilidade de retirada em loja produz uma leitura otimista do esforço promocional.
A estrutura por trás do número
A operação brasileira da DHL reúne 5 centros de distribuição dedicados à rede de fulfillment, que atende mais de 20 operações de e-commerce em alimentos, beleza, moda, artigos esportivos, eletroeletrônicos e marketplaces, além de 17 hubs de última milha. O volume de colaboradores temporários cresceu 38% em relação a meses convencionais, com mais 2.600 pessoas, e a área de armazenagem e distribuição cresceu 67% na comparação com o ano anterior.
Como o pico muda a conta do preço
O diretor de Operações de Retail e E-commerce, Jose Mattos Alvarado, lembra que a empresa atua em modalidades diferentes, do e-commerce direto ao click and collect e ao abastecimento de lojas físicas, porque o varejo hoje é integrado. Essa integração é o ponto cego da maioria das análises de preço: o mesmo SKU pode ser vendido com frete grátis no site, retirado na loja sem custo de última milha e reposto na gôndola por um caminhão, e as três operações têm estruturas de custo distintas que a etiqueta não revela.
| Canal | Perfil no pico | Custo dominante | Risco de preço | O que monitorar |
|---|---|---|---|---|
| E-commerce direto | Fatia B2C de 28% do volume | Última milha e devolução | Frete grátis corroi a margem | Preço com frete e prazo |
| Click and collect | Cresce com a conveniência | Separação na loja | Desconto sem custo de envio | Prazo de retirada e ruptura |
| Reposição de loja | Base do volume B2B | Transferência entre centros | Baixo, mas pouco flexível | Nível de estoque na gôndola |
| Marketplace | Mais de 20 operações atendidas | Coleta e triagem | Preço diferente do site próprio | Preço por vendedor |
A leitura por canal evita um erro comum em dezembro: comparar o preço do site próprio com o do marketplace sem considerar quem paga o frete. Quando o volume B2C quase dobra, a operação logística passa a determinar quais ofertas são sustentáveis, e o varejista que não acompanha esse custo descobre a perda de margem apenas no fechamento, quando já não pode corrigir o calendário promocional.
O que o investimento sinaliza para 2027
O grupo anunciou no início do mês um investimento de mais de 400 milhões de euros em infraestrutura tecnológica e logística na Europa Central e no Leste, e elevou a projeção de lucro operacional de 6,5 bilhões para mais de 7 bilhões de euros em 2026. O sinal para o varejo brasileiro é indireto e claro: capacidade logística é tratada como ativo estratégico de longo prazo, e a temporada de pico é o teste anual dessa capacidade.
O limite da evidência
O material não informa custo por entrega, prazo médio, taxa de devolução nem a composição do volume B2B, e a projeção de 19% é uma expectativa da transportadora, não um resultado realizado. Sem esses dados, é possível afirmar que o perfil da operação muda no pico e que o custo por pedido sobe, mas não é possível quantificar quanto do desconto anunciado é absorvido pela logística.
Perguntas Frequentes
Por que a fatia B2C importa mais do que o crescimento de 19%?
Porque o custo por pacote é diferente em cada modalidade. A entrega ao consumidor final envolve última milha, tentativa de entrega e devolução, então dobrar a participação B2C eleva o custo médio mesmo com o volume crescendo apenas 19%.
Frete grátis é desconto?
Economicamente, sim. O consumidor paga menos pelo total do pedido, e o varejista absorve o custo. Para comparar ofertas, o preço relevante é o preço com frete e prazo, não o preço da vitrine.
Como comparar o preço do site próprio com o do marketplace?
No mesmo dia e horário, somando frete e verificando quem é o vendedor. O marketplace pode ter preço menor com frete maior, e a comparação sem essas duas informações produz uma conclusão falsa sobre a oferta mais barata.
O que monitorar na semana de pico além do preço?
Disponibilidade para retirada em loja, prazo estimado de entrega e ruptura na gôndola. Esses três indicadores mostram se a promessa de preço pode ser cumprida, e é aí que a operação logística se transforma em percepção de valor.








