O iFood estima crescimento de 60% nas vendas durante a Black Friday deste ano na comparação com 2025, segundo a vice-presidente de Marketplace da companhia, Paula Ritto. A campanha começa em 19 de outubro, terá seis semanas de duração e descontos de até 60%, chegando a 80% em novembro, com ofertas em restaurantes, mercados, farmácias e pet shops. Categorias que não são refeição já respondem por 35% da receita da plataforma, e é justamente essa ampliação que muda a lógica operacional da data.
Conclusões Principais
A primeira conclusão é que a data deixou de ser um evento de restaurante e passou a ser um evento de sortimento. alta de 60% nas vendas(Mercado e Consumo) só é crível porque a plataforma passou a operar mercados, farmácias e pet shops, categorias com ticket menor e frequência maior que a refeição. Isso muda o cálculo de capacidade: o gargalo deixa de ser cozinha e passa a ser separação, embalagem e entregador disponível no horário de pico.
A segunda conclusão é que seis semanas de campanha exigem planejamento de sortimento, não apenas de mídia. Uma promoção longa funciona quando o varejista consegue escalonar ofertas por categoria e por semana, evitando que todo o desconto se concentre nos primeiros dias e deixe a base de preço destruída para dezembro. Quem trata a data como um único pico tende a vender muito na primeira semana e pouco nas cinco seguintes ( Mercado e Consumo).
O que muda quando a cesta deixa de ser refeição
Uma cesta de refeição tem poucos itens, alta margem por item e decisão rápida. Uma cesta de mercado tem muitos itens, margem menor e decisão comparativa, o que obriga a plataforma a resolver três problemas novos: disponibilidade por loja, substituição de item em falta e prazo de entrega previsível. Mercado e Consumo indica que essas categorias foram aposta há cinco anos e agora entram na data como realidade consolidada.
Disponibilidade por loja como gargalo
Em mercado, o cliente aceita menos a falta do que em restaurante, porque o item faz parte de uma lista planejada. Isso exige estoque sincronizado por loja e uma regra clara de substituição, comunicada antes da compra e não depois. Plataformas que exibem o item como disponível e cancelam na separação perdem confiança de forma difícil de recuperar, mesmo quando devolvem o valor pago.
O custo da entrega em pedidos de ticket baixo
Ticket menor com a mesma estrutura de entrega significa margem por pedido comprimida. A saída operacional é agrupar pedidos por região e por janela de horário, o que exige densidade de demanda e previsibilidade de oferta. Sem agrupamento, cada pedido de mercado vira uma operação de entrega dedicada, e o desconto de 60% anunciado na campanha consome exatamente a margem que a categoria deveria gerar.
Melhores Práticas
O roteiro prático tem três partes: escalonar as ofertas ao longo das seis semanas, separar a operação de mercado da operação de refeição e medir a taxa de substituição como indicador principal. Cada elemento ataca um modo de falha diferente, e juntos transformam uma campanha longa em uma operação sustentável ( Mercado e Consumo).
Escalonamento por categoria
Escalonar significa definir qual categoria lidera cada semana, com profundidade de desconto decrescente da primeira para a última. Assim o consumidor tem motivo para voltar sem que a base de preço seja destruída de uma vez. A prática também protege o estoque: uma promoção concentrada em pet shop na terceira semana evita que a mesma categoria dispute espaço logístico com mercado na primeira.
Medir substituição antes de medir conversão
Conversão conta quantos pedidos fecharam, mas substituição conta quantos chegaram completos. Em categorias de lista, a taxa de substituição é o indicador que antecipa churn: um cliente que recebe três itens trocados tende a não repetir a compra, mesmo com desconto. Acompanhar a taxa por loja permite corrigir o catálogo local antes que o problema apareça no volume do mês seguinte.
Erros Comuns
O primeiro erro é tratar a data como um pico único e concentrar todo o desconto na primeira semana. O segundo é prometer prazo de entrega igual ao de restaurante para uma cesta de mercado, que exige mais tempo de separação. O terceiro é não preparar a base de entregadores para seis semanas, contratando apenas para os três dias de pico e perdendo justamente as semanas em que a margem seria maior.
Um quarto erro, menos evidente, é usar a mesma comunicação para refeição e mercado. A linguagem de desejo funciona para restaurante e falha para lista de compras, onde o cliente quer clareza de preço e de disponibilidade. Mensagens separadas por categoria não são um detalhe de marketing, são o que permite ao cliente entender o que está comprando e quando vai receber.
O que a pesquisa de adoção de IA acrescenta
A disposição do consumidor brasileiro para usar agentes de inteligência artificial nas compras subiu de 39% para 72% em um ano, com 24% já tendo experimentado a tecnologia, segundo levantamento citado por Mercado e Consumo. Isso importa para uma campanha de seis semanas porque o agente compara preço e disponibilidade sem fadiga, e ele só recomenda o que consegue ler com clareza na página do produto.
Na prática, a plataforma que padroniza nome de item, unidade de medida e informação de estoque tende a aparecer mais nas respostas desses agentes. A que mantém descrições inconsistentes perde a recomendação mesmo com preço melhor, porque o agente não consegue confirmar equivalência entre dois itens parecidos. É um custo de catálogo que se paga em visibilidade.
Resumo
A projeção de 60% do iFood só se sustenta se a operação de mercado funcionar com a mesma previsibilidade da operação de refeição. Escalonar ofertas, separar as duas operações e medir substituição são as três alavancas que decidem se a campanha longa gera margem ou apenas volume. A ampliação de categorias é a oportunidade e também o teste de capacidade.
O próximo ponto de observação é o comportamento das semanas intermediárias, entre a primeira e a última. Se o volume se mantiver estável sem aprofundar desconto, a plataforma encontrou o ritmo; se cair pela metade, a data continua sendo um pico de três dias disfarçado de campanha de seis semanas.
Fontes de Dados
2. Mercado e Consumo adoção de IA
3. Mercado e Consumo Intelipost
Perguntas Frequentes
Por que a projeção de 60% depende das novas categorias?
A: Porque restaurante tem frequência e ticket diferentes de mercado, farmácia e pet shop; o crescimento vem da cesta ampliada, que exige separação, estoque por loja e prazo de entrega próprios.
O que significa escalonar as ofertas em seis semanas?
A: Definir qual categoria lidera cada semana, com profundidade de desconto decrescente, para dar motivo de retorno sem destruir a base de preço que será usada em dezembro.
Qual indicador antecipa o churn nesse modelo?
A: A taxa de substituição por loja. Clientes que recebem vários itens trocados tendem a não repetir a compra mesmo com desconto, e o problema aparece no volume do mês seguinte.
Por que o ticket menor pressiona a margem?
A: A estrutura de entrega é parecida, mas o valor por pedido é menor; sem agrupamento por região e janela de horário, cada pedido vira uma entrega dedicada e o desconto consome a margem da categoria.
Como a adoção de agentes de IA afeta o catálogo?
A: Agentes comparam preço e disponibilidade sem fadiga e só recomendam o que conseguem interpretar, então nome padronizado, unidade de medida e estoque claro passam a ser requisito de visibilidade.
Qual erro mais comum em campanhas longas?
A: Concentrar todo o desconto na primeira semana e contratar entregadores apenas para o pico de três dias, perdendo as semanas em que a margem seria maior.
Referências
1. iFood projeta alta de 60% na Black Friday










