Até 8 de novembro de 2026, a rede Viezzer, com sede em Canoas, apresentou na região do Igara um novo conceito de supermercado que muda a proporção da loja antes de mudar o preço: área de hortigranjeiros e perecíveis 50% maior, nova área de frios, autoatendimento na padaria e pizza assada na hora. É uma aposta em sortimento fresco como motivo de visita, e ela desloca a ruptura para o lugar onde ela custa mais caro. No mesmo mês, a Renner confirmou abertura no Moinhos Shopping, em Porto Alegre, para dezembro, e o e-commerce segue com pedidos crescendo mais que o ticket.
O que mudou na loja do Igara
A decisão de ampliar perecíveis em 50% é uma decisão sobre disponibilidade, não sobre decoração. Cada metro adicional de hortifruti exige mais reposição, mais controle de temperatura, mais mão de obra de manuseio e mais descarte. Em troca, a loja ganha o motivo de visita que o formato de bairro ainda consegue defender contra o online: o consumidor não compra alface para receber em dois dias.
Por que perecíveis ganham 50% mais área
Perecível é a categoria em que a ruptura é mais visível e menos substituível. Quando falta um item de mercearia, o consumidor leva outra marca; quando falta o produto fresco que motivou a visita, ele muda de loja na semana seguinte, e essa perda não aparece no relatório de vendas, apenas no tráfego.
| Área da loja | O que muda | Risco principal | Como medir |
|---|---|---|---|
| Hortigranjeiros | Mais posições e giro diário | Descarte por qualidade | Ruptura por posição, duas vezes ao dia |
| Padaria self-service | Menos fila, mais manuseio | Perda por contaminação e sobra | Descarte ao fim do turno |
| Frios e cortados | Atendimento e porcionamento | Ruptura de balcão | Tempo de espera e falta de item |
| Pizza pronta | Preparo na hora | Fila e capacidade | Vendas por hora versus capacidade |
A tabela mostra por que a aposta em fresco precisa de medição própria. Ruptura em mercearia é medida em dias; ruptura em hortifruti muda dentro do turno, e um item que falta às 11h pode estar disponível às 15h sem que a média diária registre o problema. Medir uma vez por dia, na média, é o mesmo que não medir.
Ruptura em perecível não tem substituto
Há uma diferença econômica entre faltar e não ter. Na mercearia, o consumidor substitui e a cesta se mantém; no perecível, a substituição costuma ser por um item de menor valor ou por nada, e a venda perdida não migra para a semana seguinte. Por isso, a loja que amplia a área fresca precisa tratar a disponibilidade como indicador de gestão, com leitura por posição e por turno, e não como consequência do pedido de compra.
O que a expansão de dezembro mostra
A abertura da Renner no Moinhos Shopping, em dezembro, e a unidade anterior em Venâncio Aires desenham o mesmo movimento que a Viezzer faz em escala menor: ocupar praça antes que o concorrente o faça, mesmo com consumo fraco. A diferença é que a rede de moda pode abrir loja e medir conversão por metro quadrado, enquanto o supermercado de bairro mede tráfego e frequência, e a frequência depende da disponibilidade do fresco. Na mesma faixa da região metropolitana, a Bistek confirmou unidade em Gravataí e a Passarela planeja um atacarejo Via em Guaíba, dois formatos com réguas de sortimento e de preço diferentes disputando o mesmo raio de consumo.
Formato e preço andam juntos
Mudar o formato sem mexer na política de preço costuma produzir um efeito ambíguo: a loja fica mais atraente e a cesta média não sobe, porque o consumidor novo leva só o fresco. O ajuste típico é separar a precificação do fresco da precificação da mercearia, aceitar margem menor no item de tráfego e recuperar na cesta complementar. O erro é tratar a área nova com a mesma régua de margem da área antiga.
Como medir a aposta
Três indicadores bastam para saber, em oito semanas, se a área nova pagou o investimento. O primeiro é a ruptura por posição em hortifruti, lida duas vezes ao dia. O segundo é o descarte como percentual das vendas da categoria, porque área maior sem controle de qualidade vira prejuízo. O terceiro é a cesta das visitas que passam pelo fresco, comparada com a cesta das que não passam, que é a única forma honesta de medir o efeito de arraste.
Com pedidos online crescendo mais que o ticket, a loja física precisa defender exatamente o que o online não entrega: escolha, frescor e compra por impulso. Ampliar perecíveis é a forma mais direta de fazer isso, e também a que exige mais disciplina de reposição.
Perguntas Frequentes
O que a Viezzer mudou na loja do Igara?
O novo conceito amplia em 50% a área de hortigranjeiros e perecíveis, cria nova área de frios, adota autoatendimento na padaria e passa a assar pizza na loja.
Por que a área de perecíveis importa para a disponibilidade?
Porque a ruptura em perecível é visível e pouco substituível. Na mercearia o consumidor troca de marca; no fresco, ele troca de loja na semana seguinte.
Com que frequência medir ruptura em fresco?
Duas vezes ao dia, por posição. A média diária esconde a falta que ocorre no meio do turno, que é justamente a que o cliente percebe.
Qual o risco de ampliar a área fresca?
Descarte e mão de obra. Área maior sem controle de qualidade e de reposição transforma sortimento em prejuízo, e o descarte cresce mais rápido que a venda.









