Carrefour corta e-commerce de não alimentos
<p>Até 27 de outubro de 2026, o balanço do terceiro trimestre do Carrefour traz uma decisão que interessa a qualquer operação digital: o grupo cresceu 9,4% no Brasil, para cerca de R$ 32,2 bilhões, e ainda assim descontinuou o comércio eletrônico de produtos não alimentares, trocando volume por margem em um mercado de consumo pressionado.</p><div style="display:none"><table><thead><tr><th>Fatos conhecidos</th><th>Não confirmado</th><th>Precisa verificar</th></tr></thead><tbody><tr><td>Vendas no Brasil somaram 5,14 bilhões de euros no trimestre, alta de 9,4%, cerca de R$ 32,2 bilhões.</td><td>Qual fatia das vendas totais veio do canal digital no período.</td><td>Se a operação de não alimentos será retomada em outro formato.</td></tr><tr><td>O Carrefour Retail caiu 2,3% em mesmas lojas, por causa da descontinuação do e-commerce de não alimentos.</td><td>Quanto do recuo veio de categorias específicas.</td><td>Qual o impacto sobre o sortimento das lojas físicas.</td></tr><tr><td>A rede encerrou setembro com 389 lojas de atacarejo e a marca própria Bulnez com cerca de 300 produtos.</td><td>Quantas lojas serão abertas no quarto trimestre.</td><td>Como a marca própria será distribuída entre as bandeiras.</td></tr></tbody></table></div><p>Os números vieram no comunicado de vendas trimestrais do grupo. No Brasil, as vendas totais alcançaram 5,14 bilhões de euros entre julho e setembro, crescimento de 9,4%, equivalentes a aproximadamente R$ 32,2 bilhões pela cotação de 26 de outubro. As vendas em mesmas lojas no país avançaram 1,4%, puxadas pelo Atacadão e pelo Sam's Club<a href="https://mercadoeconsumo.com.br/26/10/2026/noticias/carrefour-tem-alta-de-94-nas-vendas-no-brasil-no-3o-tri-soma-e-de-r-32-bilhoes/">Mercado e Consumo</a>.</p><p>No consolidado global, as vendas comparáveis cresceram 2,3%, ritmo próximo ao do primeiro semestre. O Brasil respondeu por cerca de 23% das vendas globais do grupo no trimestre, consolidando-se entre os três principais mercados ao lado de França e Espanha, e as vendas globais somaram 22,78 bilhões de euros, já incluindo o ajuste contábil da hiperinflação argentina.</p><p>A composição interna é mais informativa do que o total. O Atacadão registrou crescimento de 2% em mesmas lojas, o terceiro trimestre consecutivo de melhora: a bandeira havia fechado o primeiro trimestre com retração de 1% e avançado 0,5% no segundo. O Sam's Club teve o melhor desempenho entre as operações brasileiras, com alta de 3,6%, sustentada por volume e ampliação da base de associados.</p><p>O contraste está no varejo tradicional. O Carrefour Retail recuou 2,3% em mesmas lojas, e a empresa atribuiu o resultado principalmente à descontinuação das operações de comércio eletrônico de produtos não alimentares, decisão ligada à estratégia de priorizar a rentabilidade dos negócios digitais. Alimentos cresceram 1,5% na mesma operação, e os hipermercados avançaram 0,8%.</p><p>O desempenho do atacarejo aparece em um mercado ainda marcado pela queda dos volumes comercializados, sobretudo no próprio formato, que enfrenta dificuldades ligadas ao poder de compra e às condições de financiamento. Mesmo nesse ambiente, a bandeira melhorou a trajetória de volumes e ampliou participação de mercado, segundo a companhia.</p><p>A rede manteve a expansão física, com duas unidades abertas no trimestre, e encerrou setembro com 389 lojas de atacarejo no país. A leitura de sortimento acompanha esse movimento: quanto mais o consumo se desloca para o formato de preço, mais a disputa se dá em mix e em profundidade de gôndola, e não em variedade premium<a href="https://mercadoeconsumo.com.br/26/10/2026/noticias-varejo/varejo-alimentar-cresce-28-em-setembro-impulsionado-pela-alta-dos-precos/">Mercado e Consumo</a>.</p><h3>Por que a margem venceu o volume digital</h3><p>A decisão é explícita no comunicado e rara no setor: uma operação em crescimento abriu mão de uma parte do canal digital porque a rentabilidade não se sustentava. Não alimentos online combina frete caro por unidade, devolução alta e comparação de preço imediata, um conjunto que raramente fecha a conta sem escala ou sem categoria de maior valor agregado.</p><p>Para o sortimento, o efeito é direto. Ao sair de categorias não alimentares no digital, a rede concentra o canal online no que já tem giro e margem na loja, e libera espaço de gôndola e de capital de giro para o que sustenta a frequência de compra. A troca é menos variedade percebida no aplicativo e mais consistência no que ele promete entregar.</p><table><thead><tr><th>Operação</th><th>Variação no trimestre</th><th>Leitura</th></tr></thead><tbody><tr><td>Vendas totais no Brasil</td><td>+9,4%</td><td>Cerca de R$ 32,2 bilhões no período</td></tr><tr><td>Atacadão</td><td>+2% em mesmas lojas</td><td>Terceiro trimestre seguido de melhora</td></tr><tr><td>Sam's Club</td><td>+3,6% em mesmas lojas</td><td>Volume e base de associados em alta</td></tr><tr><td>Carrefour Retail</td><td>-2,3% em mesmas lojas</td><td>Saída do e-commerce de não alimentos</td></tr></tbody></table><h3>Marca própria como instrumento de margem</h3><p>A marca própria é a outra frente. A linha Bulnez, desenvolvida dentro do plano estratégico Carrefour 2030, já reúne cerca de 300 produtos, e chega em um momento em que o consumidor brasileiro combina conveniência, preço e compras mais planejadas, o que favorece marcas de confiança com preço de entrada<a href="https://www.supervarejo.com.br/especial/mudanca-de-habito-consumidor-de-2026-busca-conveniencia-preco-e-compras-mais-planejadas">SuperVarejo</a>.</p><p>A tendência do setor ajuda a explicar a aposta. Quando o volume total não cresce, a expansão vem de participação, e a marca própria é o instrumento mais direto para capturar margem sem depender de negociação com a indústria. O limite aparece no sortimento: ampliar demais a linha canibaliza o item de marca nacional que ainda sustenta tráfego e comparação de preço na gôndola.</p><div style="display:none"><ol><li>Separar a variação de vendas por bandeira antes de comparar com o mercado.</li><li>Conferir a participação do canal digital no total antes de ler o corte como perda de demanda.</li><li>Acompanhar a profundidade de sortimento por loja nas categorias de maior giro.</li><li>Medir a marca própria por margem e por canibalização, não apenas por participação.</li></ol><table><thead><tr><th>Campo</th><th>Exemplo</th></tr></thead><tbody><tr><td>Bandeira</td><td>Atacadão</td></tr><tr><td>Variação em mesmas lojas</td><td>+2%</td></tr><tr><td>Itens de marca própria</td><td>300</td></tr></tbody></table></div><ul><li><p>Por que uma rede em crescimento corta o e-commerce?</p><p>Porque crescimento de vendas e rentabilidade digital são medidas diferentes. O comércio eletrônico de não alimentos exige frete unitário, gestão de devolução e comparação imediata de preço, e sem escala suficiente a operação consome margem que a loja física já gera.</p></li><li><p>O que isso diz sobre a demanda do consumidor por não alimentos online?</p><p>Diz menos sobre a demanda e mais sobre a economia da categoria. O consumidor continua comprando, mas migra para players especializados com custo logístico menor. A tendência do setor aponta concentração em plataformas dedicadas, não em varejo alimentar generalista.</p></li><li><p>Qual o efeito no sortimento das lojas físicas?</p><p>Concentração. Ao reduzir a amplitude no digital, a rede tende a aprofundar o mix que sustenta frequência, e a marca própria ganha espaço de gôndola. O risco é perder o item de comparação que ancora a percepção de preço da categoria.</p></li></ul><ul><li><a href="https://mercadoeconsumo.com.br/26/10/2026/noticias/carrefour-tem-alta-de-94-nas-vendas-no-brasil-no-3o-tri-soma-e-de-r-32-bilhoes/">Mercado e Consumo: Carrefour tem alta de 9,4% nas vendas no Brasil no 3º tri</a></li><li><a href="https://mercadoeconsumo.com.br/26/10/2026/noticias-varejo/varejo-alimentar-cresce-28-em-setembro-impulsionado-pela-alta-dos-precos/">Mercado e Consumo: Varejo alimentar cresce 2,8% em setembro</a></li><li><a href="https://www.supervarejo.com.br/especial/mudanca-de-habito-consumidor-de-2026-busca-conveniencia-preco-e-compras-mais-planejadas">SuperVarejo: Mudança de hábito do consumidor de 2026</a></li></ul>