O Mercado Livre fechou uma parceria que permite a marcas do Brasil e do México anunciarem na Netflix usando dados de mais de 131 milhões de compradores da plataforma. O movimento foi descrito em artigo publicado em 16 de outubro, e a frase que resume o momento é direta: a disputa mais cara do varejo hoje é pela atenção que vem antes da vontade de comprar. Durante vinte anos, o comércio digital otimizou a busca. Agora precisa otimizar o momento anterior a ela.
O que a parceria muda na prática
Dado de compra aplicado a mídia de topo
A parceria permite usar segmentação de compra em um ambiente de entretenimento. Isso aproxima o inventário de topo de funil da mensuração de fundo de funil, porque o anunciante consegue ligar a exposição ao comportamento de compra dentro da própria plataforma de varejo.
A busca deixa de ser o único funil
Durante anos o funil do e-commerce foi linear: anúncio, busca, produto, carrinho. A atenção deslocada para vídeo e redes quebra essa linearidade. O funil passa a ter pontos de entrada múltiplos, e a atribuição precisa considerar exposições que não geram clique imediato.
Conclusões Principais
A lógica da busca é simples: o consumidor já decidiu, procura e a marca paga para aparecer. Isso funciona bem para quem sabe o que quer. O problema é que a decisão passou a nascer antes da busca, enquanto a pessoa se distrai em outro aplicativo, e quem ocupa esse tempo tem vantagem sobre quem só aparece quando a demanda está pronta.
O dado que sustenta a tese é de tempo de tela. O brasileiro passa mais de cinco horas por dia no celular, segundo a Statista, e as redes sociais somam cerca de 90 minutos diários por pessoa no mundo, segundo a Sensor Tower. Vender dentro desse tempo exige outra estrutura de mídia, com outro tipo de métrica.
Melhores Práticas
Separar mídia de descoberta e mídia de conversão
As duas têm métricas diferentes. Descoberta se mede por alcance qualificado, custo por atenção e elevação de busca de marca. Conversão se mede por retorno sobre investimento e custo por aquisição. Misturar as duas em um único painel faz o time cortar a mídia que constrói demanda porque ela não converte no mesmo dia.
Construir linha de base de busca de marca
Antes de escalar mídia de topo, registre o volume de busca de marca por período e por região. Sem linha de base, qualquer aumento será atribuído à campanha, mesmo quando vier de sazonalidade. A linha de base é o que transforma percepção em evidência.
Erros Comuns
O primeiro erro é tratar mídia de topo como mídia de performance. Ela não entrega retorno no mesmo dia, e cobrar isso dela leva ao corte prematuro. O segundo erro é medir apenas clique. Em ambiente de vídeo, a maior parte do efeito não passa por clique, e sim por elevação de reconhecimento e de busca.
O terceiro erro é ignorar o custo de criatividade. Anúncio em ambiente de entretenimento exige produção compatível com o conteúdo, e criativo ruim queima orçamento mais rápido do que segmentação errada. A verba de produção precisa entrar no cálculo do custo por atenção.
A economia da atenção no varejo
Vender atenção é diferente de vender espaço. Espaço tem preço por metro ou por impressão; atenção tem preço por tempo e por contexto. Quando o varejista passa a vender atenção, ele precisa provar que o tempo do usuário foi efetivamente ocupado, e isso exige medição de qualidade de exposição, não apenas de volume.
Para o anunciante, a consequência é uma mudança de orçamento. Parte da verba que ia para busca migra para topo de funil, e a decisão passa a depender de como as duas camadas se somam. Empresas que medem apenas a última camada tendem a subinvestir em topo e a pagar mais caro pela conversão no longo prazo.
Resumo
A parceria entre Mercado Livre e Netflix mostra que o varejo digital está disputando o tempo antes da busca, não apenas a posição na lista de resultados. Quem ocupa a atenção constrói demanda; quem só aparece na busca paga pelo que já foi construído.
O caminho prático é separar métricas de descoberta e de conversão, construir linha de base de busca de marca e incluir custo de criatividade no cálculo. Sem esses três elementos, a verba de topo de funil vira aposta, e não investimento mensurável.
Fontes de Dados
- Mercado Livre e Netflix: por que a parceria:https://mercadoeconsumo.com.br/16/10/2026/artigos/por-que-o-mercado-livre-precisou-da-netflix/
- Uso de IA para compras salta para 72%:https://mercadoeconsumo.com.br/14/10/2026/tecnologia/uso-de-ia-para-fazer-compras-salta-de-39-para-72-no-brasil/
- Nove em cada dez empresas não medem retorno da IA:https://mercadoeconsumo.com.br/15/10/2026/tecnologia/nove-em-cada-dez-empresas-nao-medem-resultado-financeiro-da-ia/
- iFood projeta alta na Black Friday:https://mercadoeconsumo.com.br/15/10/2026/black-friday/ifood-estima-crescimento-de-60-nas-vendas-da-black-friday-ante-2025/
Perguntas Frequentes
Por que anunciar na Netflix e não na busca?
A:Porque a decisão de compra passou a nascer antes da busca, e quem ocupa esse tempo influencia a escolha antes de existir intenção declarada.
Qual métrica usar para mídia de descoberta?
A:Alcance qualificado, custo por atenção e elevação de busca de marca, sempre comparados a uma linha de base.
Como separar descoberta de conversão?
A:Com painéis e metas distintas. Misturar as duas faz o time cortar a mídia que constrói demanda.
O que é linha de base de busca de marca?
A:O volume de busca por marca medido antes da campanha, por período e região, usado como referência de comparação.
Criatividade entra no custo?
A:Entra. Produção incompatível com o ambiente de entretenimento queima orçamento mais rápido do que segmentação errada.
Isso serve para marcas pequenas?
A:Serve em escala menor, com uma frente de vídeo e uma métrica de elevação de busca, sem necessariamente usar dado de compra de marketplace.










